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BC aponta aumento de superendividamento e alta em empréstimos sem garantia

BC e CVM ampliam cooperação para monitorar crédito e reduzir riscos ao sistema financeiro diante do aumento do superendividamento

O Banco Central informou nesta segunda-feira ter firmado um acordo de cooperação técnica com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ampliar a troca de informações sobre operações de crédito no país, fortalecendo o monitoramento e avaliação de riscos para o sistema financeiro
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  • O Banco Central firmou acordo de cooperação técnica com a Comissão de Valores Mobiliários para ampliar a troca de informações sobre operações de crédito no país.
  • O BC aponta que o número de brasileiros com empréstimo pessoal sem garantia subiu, chegando a 41,7 milhões de pessoas no fim de dois mil e vinte e quatro.
  • No crédito ao consumidor, 53 milhões de pessoas tinham dívidas no cartão de crédito, no rotativo ou parcelado, e o total de cartões ativos superou 220 milhões.
  • O uso do cartão elevou o comprometimento de renda: passou de quarenta e oito para cinquenta e quatro por cento entre dois mil e vinte e dois e dois mil e vinte e quatro; juros do rotativo batem acima de quatrocentos e trinta por cento ao ano.
  • O governo estuda novo pacote de renegociação de dívidas com garantias da União; o programa Desenrola, entre dois mil e vinte e três e dois mil e vinte e quatro, renegociou quarenta e três bilhões de reais para cerca de quinze milhões de pessoas.

O Banco Central (BC) informou nesta segunda-feira a assinatura de um acordo de cooperação técnica com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ampliar a troca de informações sobre operações de crédito no Brasil. O objetivo é fortalecer o monitoramento e a avaliação de riscos no sistema financeiro.

O BC apontou um aumento expressivo no endividamento das famílias, com ênfase em empréstimos pessoais sem garantia e uso de cartão de crédito. Em relatório de cidadania financeira, a autarquia destacou que a digitalização facilita o acesso ao crédito, mas expõe consumidores a riscos de superendividamento, exigindo educação financeira e regulação mais robusta.

A instituição destacou números preocupantes: o total de brasileiros com empréstimo pessoal sem garantia chegou a 41,7 milhões no fim de 2024, acima do registrado em 2020. Paralelamente, 53 milhões de pessoas tinham dívidas no cartão de crédito, incluindo rotativo ou parcelado.

Parcerias e impactos no mercado de crédito

O relatório também mostrou que o número de cartões ativos no Brasil passou de 220 milhões, com quase 96 milhões de usuários fazendo uso da função de crédito. Juros do rotativo ultrapassam 430% ao ano, enquanto as opções parceladas ficam em torno de 200% ao ano.

O comprometimento da renda com gastos no cartão subiu de 38,5% em 2020 para 54% em 2024, sinalizando maior participação do crédito no orçamento familiar e maior vulnerabilidade a oscilações de renda. A análise também ressalta a necessidade de aprofundar estudos sobre o fenômeno conhecido como bets, que pode elevar riscos entre grupos mais vulneráveis.

O acordo com a CVM prevê compartilhamento de dados mais amplo, incluindo informações de entidades reguladas pela CVM, como securitizadoras. Segundo o BC, a iniciativa deve reduzir assimetrias de informação e favorecer uma precificação de risco mais adequada para o mercado como um todo.

Observações finais

A nota do BC ressaltou que a cooperação entre BC e CVM já ocorre há vários anos e passa a ganhar continuidade por meio do novo acordo. A medida visa tornar o crédito mais seguro e reduzir custos para tomadores, sem apontar mudanças políticas imediatas.

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