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Créditos estressados ganham espaço em recuperações judiciais

Créditos estressados ganham espaço no agro com compra e reestruturação de dívidas, ajudando produtores a enfrentar recuperações judiciais e consolidar ativos

Margem do produtor em queda e ativos estressados em campo
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  • O mercado brasileiro passou a favorecer a compra e reestruturação de créditos estressados no agronegócio, com empresas atuando como intermediárias entre banks e produtores endividados.
  • A MA7 estima que cerca de R$ 120 bilhões em créditos estejam estressados no país, com o agronegócio representando uma fatia crescente.
  • Em 2025, estados do Centro-Oeste lideram os pedidos de recuperação judicial, com Mato Grosso, Goiás e Paraná entre os mais afetados; a soja registra margens previstas em queda acentuada.
  • O modelo da MA7 envolve a aquisição de dívidas não performadas (com desconto) e a busca por soluções com o produtor, incluindo renegociações ou caminhos judiciais; a empresa também atua em litígios e aquisição de imóveis.
  • A demanda por reestruturação dobrou nos últimos 12 meses (acima de 50% de aumento) e há sinais de consolidação no campo, com ativos sendo vendidos, arrendados ou usados para captar crédito.

O volume de créditos estressados no Brasil avança no agronegócio, impulsionado por recuperação judicial de produtores e margens apertadas. Empresas especializadas atuam como intermediárias entre bancos e produtores endividados, buscando destravar ativos e reorganizar passivos.

Segundo levantamento da MA7 Negócios, o montante chega a cerca de 120 bilhões de reais, e o agronegócio já representa parcela crescente desse total. Estima-se que 15% do crédito do setor esteja sob algum nível de estresse.

A pressão tem relação com a escalada de pedidos de recuperação judicial. Em 2025, Mato Grosso, Goiás e Paraná lideram os números no Centro-Oeste, com 332, 296 e 248 pedidos, respectivamente. O segmento de grãos, especialmente soja, enfrenta queda de rentabilidade prevista em 47,6%.

Modelo de atuação e visão de mercado

A MA7 atua na aquisição e reestruturação de passivos bancários não performados, vendidos por bancos no mercado secundário com desconto. A empresa compra dívidas e busca resolver junto ao produtor, por meio de renegociação ou caminhos judiciais.

Além disso, a MA7 financia litígios, como ações indenizatórias e cumprimento de sentença, e adquire imóveis em situações estressadas, incluindo propriedades rurais e ativos urbanos. O portfólio já envolve mais de 20 operações, com valores somados superiores a meio bilhão de reais.

Impacto no agro e atuação profissional

O setor tem ganhado protagonismo na estratégia de investimento. A demanda por reestruturação de dívidas agro cresce mais de 50% nos últimos 12 meses, segundo a MA7, com análise diária de cinco a dez novas oportunidades. A maior parte envolve produtores inadimplentes, não apenas empresas em RJ.

Perfil dos clientes é variado, desde grandes grupos até produtores médios faturando entre 30 e 50 milhões de reais por ano, mais pressionados pela elevação de custos e pela queda de rentabilidade. A aproximação entre finanças e agro amplia o campo de atuação de escritórios de lei.

Consolidação e vias de saída

A elevação do estresse financeiro favorece a consolidação no campo, com ativos à venda, arrendamento ou penhora, atraindo grupos com caixa para absorção. A MA7 estrutura portfólios de ativos para investidores, ampliando o espaço de atuação no mercado.

Advogados relatam interesse de compradores por ativos com passivo ambiental sob controle, destacando a importância de avaliar impactos socioambientais antes da aquisição. O cenário atual aponta para continuidade da expansão do nicho nos próximos anos.

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