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Governo pode elevar subsídios aos combustíveis após falha de negociações EUA-Irã

Subsídios a combustíveis podem exigir mais recursos do orçamento após fracasso de negociações entre Estados Unidos e Irã, com o Brent acima de cem dólares, elevando a inflação

Expectativa de mais gastos públicos com subsídios ocorre após fracasso das negociações entre EUA e Irã. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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  • O barril de petróleo Brent passou de US$ 100, aumentando o risco de elevar gastos públicos para manter preços internos.
  • O pacote de subsídios aos combustíveis, anunciado no início de abril, pode precisar de reforço diante da crise no Oriente Médio.
  • Principais itens: subsídio de R$ 0,80 por litro no diesel nacional (custo estimado de R$ 6 bilhões em dois meses) e R$ 1,20 por litro para diesel importado; subsídio de R$ 850 por tonelada no gás de cozinha importado; zeragem de tributos sobre querosene de aviação e biodiesel; crédito para companhias aéreas.
  • O custo total continua atrelado ao orçamento federal, com possibilidade de que gastos sejam maiores que os R$ 31 bilhões estimados.
  • O impacto na inflação pode pressionar o IPCA, que já está em 4,71% para este ano, mantendo o Copom em alta e dificultando a redução da Selic.

O governo federal pode precisar aumentar o gasto com subsídios aos combustíveis após o fracasso das negociações entre EUA e Irã neste fim de semana. O preço do petróleo Brent ultrapassou 100 dólares por barril nesta segunda-feira, elevando o risco de novos gastos públicos para manter os preços internos estáveis.

As ações anunciadas pelo Palácio do Planalto, no início de abril, visavam evitar repasse da alta internacional ao consumidor, especialmente para diesel e gás de cozinha. Com a deterioração da crise no Oriente Médio, o custo do pacote pode exceder os 31 bilhões de reais estimados pela equipe econômica.

Entre as medidas está o subsídio de 0,80 real por litro para o diesel nacional, com custo estimado de 6 bilhões de reais em dois meses, além de 1,20 real por litro para o diesel importado, rateado entre União e estados. Também houve apoio ao gás de cozinha importado com 850 reais por tonelada.

Além disso, o governo zerou tributos como PIS/Cofins sobre querosene de aviação e biodiesel e ampliou crédito a companhias aéreas. O objetivo é conter impactos da alta global nos preços internos, minimizando efeitos diretos no bolso do consumidor.

Cenário macroeconômico

O aumento do petróleo pode pressionar ainda mais os gastos com o subsídio, afetando o Orçamento. A inflação tende a ganhar fôlego ao longo do ano, influenciada por transportes e alimentos, com repercussões nos índices oficiais.

Conforme o Relatório Focus do Banco Central, a inflação para o ano já passa do teto de 4,5%, projetando 4,71% pelos agentes do mercado. A alta de preços pode manter o Copom com a taxa Selic em patamar elevado, freando reduções previstas.

Implicações para política econômica

Na prática, o reforço de subsídios aumenta a pressão sobre as contas públicas e pode atrasar cenários de ajuste fiscal. Em reunião recente, a Selic foi reduzida de 15% para 14,75%, porém o ambiente externo ajuda a manter a trajetória de juros alta.

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