- Em abril, o leite ao produtor no atacado segue em alta, com menor oferta no campo; em março, a média do leite integral em São Paulo ficou em R$ 4,16, alta de 19,3% ante fevereiro.
- A valorização também atingiu derivados no atacado, com reflexo esperado no varejo, conforme observa a Cepea.
- A redução da oferta vem de margens apertadas em 2025, que levaram produtores a investir menos, resultando em menor produção neste início de ano.
- O preço da muçarela no atacado paulista subiu para R$ 30,74 em março, alta de 7% frente a fevereiro, com demanda ainda limitando aumentos maiores.
- Importações, especialmente de leite em pó da Argentina, ajudam a suprir a demanda interna e pressionam o preço pago ao produtor; o ano de 2026 é visto com cautela e tendência de alta no curto prazo, mas incerto no médio prazo.
O preço do leite voltou a subir no Brasil em abril, empurrado pela menor oferta no campo. Dados do Cepea, com base na pesquisadora Ana Paula Negrão, indicam que o movimento acompanha o início do mês e deve seguir no curto prazo, apesar das incertezas.
Levantamentos mostram valorização tanto do leite ao produtor quanto dos derivados no atacado, o que tende a repercutir no varejo. A principal explicação é a redução na captação de leite, diferente de 2025, quando houve excesso de oferta.
A queda na oferta não se deve apenas à sazonalidade, mas também a efeitos acumulados do ano anterior. Produtores reduziram investimentos em 2025 devido a margens pressionadas, o que hoje se traduz em menor produção no campo.
Essa tendência é observada em todas as principais bacias leiteiras monitoradas pelo Cepea, sugerindo um movimento nacional. Em março, o leite integral no atacado de São Paulo ficou em média R$ 4,16 por litro, alta de 19,3% frente fevereiro.
Tendência de alta
O aumento de preços também atinge os derivados. A muçarela teve média de atacado em São Paulo de R$ 30,74, elevação de 7% em março. A demanda ainda não reage com força suficiente para absorver reajustes maiores.
A pesquisadora aponta que a demanda não está aquecida, limitando o repasse de preços. Itens de maior valor agregado, como manteiga e queijos finos, são mais sensíveis à renda do consumidor, enquanto produtos essenciais, como leite UHT, mantêm demanda mais estável.
Importações e impactos
O mercado também acompanha o avanço das importações, principalmente de leite em pó. Mesmo com produção doméstica relevante, o Brasil não supre totalmente a demanda interna, mantendo a dependência externa.
Segundo Ana Paula, o volume importado tem crescido, com destaque para compras da Argentina, que oferecem preços competitivos. Essa dinâmica atua como fator de pressão sobre o preço pago ao produtor brasileiro.
A indústria continuará monitorando insumos como fertilizantes e ração, cuja evolução pode ser impactada por tensões no mercado global. O ano de 2026 é visto como de cautela para a cadeia do leite, com recuperação de preços ainda distante de patamares anteriores.
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