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Presidente da CBIC aponta preocupação com uso do FGTS para dívidas

CBIC alerta que saque do FGTS para quitar dívidas pode comprometer habitação popular e não resolver endividamento a longo prazo

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  • Presidente da CBIC, Renato Correia, afirma que estudo do governo sobre uso do FGTS para quitar dívidas pode comprometer financiamentos habitacionais e não resolve o endividamento a longo prazo.
  • Correia ressalta que o FGTS é essencial para viabilizar habitações de interesse social e que desvio de recursos do fundo prejudicaria esse objetivo.
  • Segundo ele, com valores em discussão entre 7 bilhões e 17 bilhões de reais, haveria impacto significativo: cerca de 50 mil moradias deixariam de ser construídas; com 10 bilhões, seriam viabilizadas cerca de 65 mil habitações.
  • Correia aponta que a medida não resolveria o problema de endividamento, citando a dívida média por pessoa endividada de cerca de 6.300 reais e o valor potencial de liberação por trabalhador em torno de 1.700 reais.
  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a medida seria implementada de forma bem limitada e opcional, sem comprometer a sustentabilidade do FGTS, mas Correia mantém posição contrária, defendendo a manutenção da finalidade original do fundo.

O presidente da CBIC, Renato Correia, afirmou que o uso do FGTS para quitar dívidas é uma medida em estudo pelo governo federal que preocupa especialistas do setor. A declaração ocorreu em entrevista ao CNN 360º na segunda-feira, 13, no contexto de avaliações sobre impactos na habitação e na economia. A pauta envolve o próprio FGTS, foco de políticas habitacionais.

Correia ressaltou que o FGTS é essencial para viabilizar habitações de interesse social, atuando como suporte quando há orçamento público limitado para esse direito constitucional. Qualquer saque que desvie o fundo do seu objetivo principal é motivo de apreensão para o setor.

Ele afirmou ainda que a proposta seria uma solução provisória que não resolve o endividamento a longo prazo e citou experiências anteriores de antecipação do consignado como exemplos pouco eficazes. O argumento é de que a medida não atacaria as causas estruturais do problema.

Impacto nas habitações populares

Segundo cálculos apresentados por Correia, R$ 10 bilhões do fundo permitiriam a construção de cerca de 65 mil moradias. Com o montante discutido pelo governo, entre 7 e 17 bilhões, a estimativa é de que cerca de 50 mil unidades não chegariam a sair do papel.

Correia questionou a eficácia da medida para reduzir o endividamento, destacando que a dívida média de um brasileiro endividado é de cerca de R$ 6.300, enquanto o valor disponível por trabalhador seria em torno de R$ 1.700, insuficiente para quitar a maioria das dívidas.

Você está vendendo a janela para pagar a dívida de alguém que nem tem a casa ainda, afirmou o representante setorial, defendendo soluções mais duradouras para o problema, como redução de carga tributária e de juros, em vez de medidas provisórias.

Resposta do governo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não pretende comprometer a sustentabilidade nem as políticas financiadas pelo FGTS e que a medida seria implementada de forma bem limitada e opcional. Mesmo assim, Correia manteve a posição contrária por princípio, defendendo a manutenção da finalidade original do FGTS até a solução efetiva dos problemas habitacionais.

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