- O dólar voltou a dominar as atenções: o conflito no Oriente Médio elevou a procura por moeda de refúgio e desorganizou fluxos de capital.
- O BBVA revisou as projeções para a América Latina, destacando cenários com alta do dólar e limites caso haja alívio nos preços do petróleo.
- O banco alerta que um conflito prolongado pode acelerar inflação e frear o crescimento, com impactos nos preços de energia e alimentos.
- No Brasil, o real é visto como pilar do carry global, com projeções de câmbio em torno de R$ 5,26 em junho de 2026 e R$ 5,61 em março de 2027, sujeitas à eleição de outubro.
- As perspectivas para México, países andinos e Argentina mostram caminhos distintos, com desvalorizações graduais e efeitos variados de petróleo, política fiscal e disponibilidade de financiamento.
O dólar voltou a ocupar espaço central no mercado global diante do choque geopolítico no Oriente Médio. O risco de estaglação e a volatilidade nos preços de energia ampliaram a demanda pela moeda norte-americana, mesmo com sinais de alívio após o cessar-fogo temporário.
O BBVA revisou as projeções para a América Latina, considerando maior dispersão entre as moedas e a possibilidade de avanço nos preços do petróleo. O banco mantém cautela sobre o dólar no curto prazo, apesar de reconhece momentos de força ligados à aversão ao risco.
A instituição aponta que a dinâmica cambial depende do andamento da tensão na região e de respostas de política monetária, com impactos nos fluxos de capital e na inflação global.
Dólar global
Para o BBVA, cenários com distensão no Oriente Médio podem reduzir a demanda por moeda de refúgio, ainda que haja valor para exportadores de energia. Os analistas destacam uma tendência de dólar mais estável, com movimentos em duas direções conforme o apetite por risco.
O banco destaca que a reação do mercado cambial não é linear, com posições vendidas e carry trades influenciando alta inicial e recuo posterior. O dólar permanece sob pressão de prêmio de risco, credibilidade fiscal e ciclo econômico dos EUA.
O BBVA acredita que o dólar pode perder força se houver moderação nos preços do petróleo e sinaliza uma postura menos restritiva do Fed em cenário de inflação sob controle.
Brasil e México
Na América Latina, o real é visto como pilar do carry global, com desempenho relativamente sólido devido à diversificação de exportações e produção de energia e alimentos. As projeções indicam leve desvalorização ao longo do período.
A taxa de câmbio brasileira é estimada em 5,26 reais por dólar para junho de 2026, 5,65 para setembro, 5,60 para dezembro e 5,61 em março de 2027. O cenário eleiçõs é citado como fator de volatilidade.
No México, o peso enfrenta maior desafio após bom desempenho recente, com sensibilidade ao apetite por risco e ajuste do Banco Central que reduziu o diferencial de rendimento. Projeções apontam 17,65 em junho, 17,70 em setembro, 18,00 em dezembro e 18,01 em março de 2027.
Moedas andinas
No Chile, o peso sofre com o choque energético, apesar de ambiente doméstico mais favorável. O conflito no Oriente Médio domina o curto prazo e pressiona o CLP, que tende a valorização gradual conforme externa se normaliza.
A Colômbia apresenta equilíbrio entre suporte do petróleo e riscos fiscais, com previsão de alta graduada do peso colombiano. O dólar deve seguir influenciando a demanda por carry trade e fluxos de investimento.
No Peru, o sol apresenta maior estabilidade, com trajetória de valorização moderada. O BBVA aponta fundamentos macroeconômicos sólidos e menor volatilidade relativa, mesmo com instabilidade doméstica.
Argentina
Na Argentina, a banda cambial administrada e a política monetária voltadas à estabilidade nominal mantêm o dólar sob controle relativo. Ajustes na banda e menor pressão após eleições contribuem para uma negociação cambial mais estável.
As projeções indicam desvalorização gradual do peso frente ao dólar, com valores estimados em 1.616, 1.760, 1.817 pesos por dólar nos meses de setembro, dezembro e março, respectivamente. A estratégia busca acumular reservas e conter inflação.
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