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Juros elevados mantêm ciclo de endividamento no Brasil, aponta economista

Juros elevados mantêm o endividamento no Brasil; crédito caro amplia inadimplência e transforma faturas mínimas em bola de neve

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  • O endividamento e a inadimplência no Brasil têm raiz estrutural, com juros altos por longos períodos, aponta o pesquisador Flávio Ataliba, da FGV Ibre.

  • Aumento de famílias com contas atrasadas começou em 2021, impulsionado pela perda de renda na pandemia e pelo encarecimento do crédito.

  • Os juros foram de cerca de 2% na pandemia para 9,75%, devendo ficar em torno de 15% por muito tempo, segundo Ataliba.

  • O endividamento está concentrado em crédito caro, principalmente cartão de crédito (>30%) e crédito pessoal, com rotativo do cartão a 436% ao ano e cheque especial a 150% ao ano.

  • Renegociações ajudam no curto prazo, mas não resolvem a raiz do problema, que é o juro alto; educação financeira e redução da pressão de crédito pelo governo também são citadas como importantes.

O endividamento e a inadimplência no Brasil ganham contornos estruturais, segundo o economista Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre. Ele disse ao programa Mercado Aberto, do Canal UOL, que juros altos por longos períodos ajudam a sustentar esse cenário, iniciado com a pandemia.

Segundo Ataliba, a combinação de perda de renda durante a pandemia e o encarecimento do crédito elevou o peso das dívidas no orçamento familiar. Ele apontou que, na prática, o endividamento reage aos episódios de choque de renda e de juros altos.

> A depender do tipo de crédito, o impacto é ainda maior. Parte expressiva da dívida está em linhas caras, que transformam faturas pequenas em problemas maiores, como uma bola de neve decorrente do uso do cartão de crédito.

Cartão de crédito e crédito pessoal dominam esse endividamento, de acordo com o pesquisador. O acesso a crédito rotativo com altas taxas — cerca de 436% ao ano — e ao cheque especial, com aproximadamente 150% ao ano, acentua a vulnerabilidade de famílias.

Ações de renegociação podem trazer alívio imediato, mas não atuam na raiz do problema, disse Ataliba. O ajuste estrutural, na visão dele, depende de reduzir a carga de juros praticados na economia.

> O problema é estrutural: o país convive há anos com juros de dois dígitos. Sem reduzir a taxa básica, soluções pontuais perdem efeito, observou o economista. Educação financeira e hábitos de consumo também influenciam.

Entre outras causas, Ataliba citou comportamento e falta de educação financeira, com desconhecimento de juros compostos e compras supérfluas como fatores que empurram famílias para dívidas caras.

Para reduzir o juro de forma sustentável, o pesquisador defende equilíbrio fiscal que libere espaço de crédito. Quando o governo captura grande parte dos recursos disponíveis, o custo do crédito para o restante aumenta, explicou.

Causas e impactos

O programa Mercado Aberto vai ao ar de segunda a sexta, às 8h, com apresentação de Amanda Klein. A edição discute movimentos do mercado financeiro e impactos na renda das famílias.

Onde assistir: ao vivo na home do UOL, YouTube do UOL e Facebook do UOL. O conteúdo também fica disponível em plataformas da Claro, Vivo TV, Sky, Oi TV, TVRO Embratel, Zapping, Samsung TV Plus e UOL Play.

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