- Nos últimos dois anos, a carga tributária sobre o cigarro subiu cerca de 105%, segundo a JTI.
- A nova elevação aumenta o IPI de 2,25% para 3,5% e eleva o preço mínimo do maço para 7,50 reais, com previsão de arrecadar aproximadamente 1,2 bilhão de reais em dois meses.
- O executivo afirma que o efeito tende a ser relevante para o mercado formal, com risco de colapso e migração de consumidores para produtos ilegais; hoje, 3 em cada 10 cigarros são ilegais.
- O Brasil é o maior exportador de tabaco do mundo, com cerca de 120 mil a 130 mil produtores e entre 7 mil e 9 mil empregos diretos na indústria; a queda de vendas pode erodir esse emprego.
- O empresário aponta que a previsibilidade é essencial, citando a Alemanha como exemplo de ajustes graduais e periódicos para equilibrar arrecadação e controle de consumo.
O aumento de impostos sobre cigarros no Brasil, anunciado recentemente, pode comprometer o mercado formal, segundo Omar Teixeira, executivo da JTI. Nos últimos dois anos, a carga tributária do setor subiu aproximadamente 105%, segundo ele, com dois grandes reajustes em 2024 e agora, em 2026.
A nova elevação eleva o IPI de 2,25% para 3,5%, elevando o preço mínimo do maço para 7,50 reais. A medida visa compensar perdas de arrecadação com a isenção de combustíveis, parte de um pacote governamental para mitigar impactos da guerra no Oriente Médio, com expectativa de arrecadar 1,2 bilhão de reais em dois meses.
Para a JTI, o efeito sobre o mercado formal tende a ser significativo. O executivo aponta que aumentos abruptos deslocam consumidores para o mercado ilegal, agravando a informalidade e reduzindo volumes legais. No Brasil, ele estima que hoje 3 em cada 10 cigarros consumidos sejam ilegais, e que a tendência pode se intensificar nos próximos anos.
Efeitos sobre o consumo e empregos
A projeção aponta que, se a medida for mantida, entre 5 e 6 em cada 10 cigarros vendidos no futuro poderiam ser do mercado clandestino. A indústria de tabaco é complexa no Brasil, com cadeia de pequenos produtores de 120 a 130 mil pessoas, e entre 7 mil e 9 mil empregos diretos.
A redução de vendas formais implica menor necessidade de mão de obra direta na indústria, o que pode levar a ajustes no quadro de empregos ao longo dos próximos anos, segundo Teixeira. O risco é maior para as classes C e D, mais suscetíveis à migração para produtos ilícitos.
Países europeus como referência
O executivo destaca que a forma como o governo calibra os tributos ao longo do tempo é decisiva. Comparando com a Alemanha, aponta um sistema de previsibilidade: pequenos aumentos anuais, avaliados periodicamente, que ajudam a manter equilíbrio entre arrecadação e controle de consumo.
A diferença percebida é que o Brasil realizou aumentos concentrados e menos previsíveis, somando mais de 100% em dois anos, o que, na visão dele, compromete a previsibilidade necessária para evitar impactos adversos no mercado legal.
Desafios e aprendizados para a política pública
Segundo Teixeira, a tributação não deve ser encarada como única ferramenta de controle do tabaco e não tem apresentado resultados consistentes desde 2010. A avaliação é de que é preciso considerar impactos regulatórios e sociais antes de novas mudanças.
Em meio a esses movimentos, o Brasil permanece como maior exportador mundial de tabaco, com milhares de produtores distribuídos por centenas de municípios. A combinação de tributação, regras de preço mínimo e combate à informalidade segue em debate entre governo, indústria e sociedade.
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