- O diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, disse que não conta com valorização do real para atingir a meta de inflação de 3%, considerando o movimento recente da moeda como conjuntural.
- Em seminário nos Estados Unidos, ele ressaltou que o real tem apresentado volatilidade menor que a esperada por acompanhar movimentos globais, mas não espera esse efeito no futuro.
- David afirmou que desvalorizações do real tendem a puxar para cima as expectativas de inflação mais do que o impacto negativo quando o real se valoriza.
- O BC vê convergência da atividade econômica ao seu potencial, necessária para a inflação caminhar de forma sustentável para a meta de 3%.
- Sobre a inflação de 2028, o BC não ficou satisfeito com o aumento das expectativas; o Focus aponta 3,60% para 2028, acima dos 3,50% de um mês antes, enquanto o BC mantém como objetivo a meta de 3%.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou durante seminário em Washington que o BC não conta com a valorização do real para alcançar a meta de inflação de 3%. Ele classificou o desempenho recente da moeda como conjuntural.
Segundo David, o real costuma apresentar maior volatilidade por acompanhar movimentos globais, mas isso não ocorreu no momento. A taxa cambial brasileira surpreendeu positivamente sem sustentar efeitos para a inflação.
Nos últimos dias, o dólar caiu abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez em dois anos, alimentando expectativas sobre acordos entre EUA e Irã para encerrar conflitos regionais.
David disse que desvalorizações do real exercem pressão maior sobre as expectativas inflacionárias do que valorizações, e que a inflação precisa convergir ao seu potencial para ficar na meta.
O diretor destacou que o BC avalia que a convergência está ocorrendo. Entretanto, eventos de inflação para 2028 vinham subindo, segundo o Focus, o que preocupa a instituição.
Conforme o boletim Focus, a mediana de 2028 ficou em 3,60%, acima do centro da meta de 3%. O BC afirmou que esse dado não é compatível com a política de “mirar a meta”, reforçando o objetivo institucional.
David explicou que o processo de cortes da Selic é visto como calibração, não flexibilização, e que a taxa deve permanecer em campo restritivo ao fim do ciclo. O Copom reduziu a Selic para 14,75% ao ano em março.
O ministro da Selic precisa de manter o equilíbrio diante da incerteza, especialmente com o cenário de guerra envolvendo EUA, Irã e Israel. O diretor destacou que o BC acompanha dados e agirá se necessário.
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