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Gastos com pessoal e benefícios fiscais terão limite a partir de 2027

Gatilhos fiscais limitam alta de gastos com pessoal a 0,6% acima da inflação a partir de 2027, restringindo criação de benefícios em cenário de déficit

Brasília (DF), 15/04/2024, Fachada do prédio do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), na Esplanada dos Ministérios. Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
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  • O orçamento de 2027 terá gatilhos automáticos para conter despesas, limitando o crescimento de gastos com pessoal a 0,6% acima da inflação e podendo suspender a criação, ampliação ou prorrogação de benefícios tributários enquanto houver desequilíbrio fiscal.
  • As diretrizes estão no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado pelo Executivo ao Congresso, definindo metas fiscais, prioridades e limites de gastos.
  • Os gatilhos entram em vigor já no primeiro ano do próximo governo, com exceção de situações de calamidade pública, e, se não houver cumprimento, o Executivo pode pedir flexibilização ao Congresso.
  • Na prática, o limite funciona como um subteto para salários, e a Secretaria de Orçamento Federal pode barrar propostas de reajustes e de concursos se houver risco de descumprimento.
  • Projeções indicam gasto com pessoal de 4,2% em 2027, desacelerando nos anos seguintes, enquanto o déficit de 2025 foi de 61,7 bilhões; para 2027 há expectativa de superávit, mas dependente de despesas fora do arcabouço.

O governo apresentou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, que fixa gatilhos automáticos para conter gastos após o déficit nas contas públicas. Entre as medidas está a limitação do crescimento de gastos com pessoal a apenas 0,6% acima da inflação e a proibição de criar, ampliar ou prorrogar benefícios tributários enquanto persistir o desequilíbrio fiscal.

O PLDO determina parâmetros para a elaboração do Orçamento, com metas fiscais, prioridades e limites de gastos. Os gatilhos já haviam sido previstos em leis de 2024 e passam a vigorar a partir deste ano, já refletindo no planejamento do próximo governo. A regra vale independentemente de quem vença a eleição.

Essas regras entram em funcionamento no primeiro ano do próximo governo e costumam exigir flexibilização ao Congresso caso haja descumprimento, com exceção em situações de calamidade pública. A ideia é frear o crescimento de despesas quando as contas estiverem desequilibradas.

Na prática, o limite de gastos com pessoal funciona como um teto para decisões sobre reajustes salariais e concursos. Em caso de risco de não cumprimento, a Secretaria de Orçamento Federal pode barrar propostas de qualquer Poder ou órgão autônomo.

A dotação de gastos com pessoal somou 412,1 bilhões de reais em 2025, com alta de 4,3% acima da inflação. A previsão para 2026 é de 457,6 bilhões. O déficit de 61,7 bilhões em 2025 acionou automaticamente os gatilhos.

O governo estima déficit de 59,8 bilhões em 2026 ao considerar gastos fora do arcabouço, como precatórios e despesas de saúde, educação e defesa. Em 2027, o PLDO projeta superávit de 73,2 bilhões, válido apenas se as despesas fora do arcabouço forem consideradas.

Com a margem de tolerância de 0,25% do PIB prevista pelo arcabouço, as contas podem encerrar 2027 no negativo. Se o déficit efetivo ocorrer, as restrições de gastos com pessoal e com benefícios tributários devem permanecer em vigor em 2028 e 2029.

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