- O governo suspendeu a concessão de novos pedidos do Benefício de Prestação Continuada por quase seis meses, de fim de junho a meados de dezembro de 2025, gerando um backlog de cerca de 740 mil solicitações e uma fila de 3 milhões.
- A paralisação ocorreu em meio a ajustes técnicos no Dataprev, ligado ao INSS, decorrentes de mudanças aprovadas no fim de 2024 que alteraram critérios de acesso ao benefício.
- A suspensão reduziu temporariamente as despesas oficiais, mas causou acúmulo de pagamentos atrasados e correção monetária, elevando a fatura futura do governo.
- O passivo do INSS chegou a 2,1 bilhões em quatro meses, com 287,6 milhões pagos em dezembro de 2025 e 1,84 bilhão quitados entre janeiro e março de 2026; parte dos valores foi empurrada para o ano seguinte a pedido do Ministério do Desenvolvimento Social.
- A retomada começou em dezembro de 2025, porém em ritmo lento, com 30,2 mil concessões mensais até janeiro; em fevereiro e março de 2026 houve aceleração, com 116,6 mil e 90,4 mil benefícios liberados, respectivamente.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva suspendeu por quase seis meses a concessão de novos pedidos do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em 2025, o que resultou em um represamento de cerca de 740 mil solicitações e elevou a fila para 3 milhões de requerimentos. A pausa ocorreu entre o fim de junho e meados de dezembro, período em que peritos médicos e equipes de avaliação social avançaram em etapas, mas não efetuaram pagamentos.
A interrupção coincidiu com ajustes técnicos no Dataprev, responsável pelo processamento de dados do INSS, relacionados a mudanças aprovadas no fim de 2024 que modificaram critérios de acesso ao benefício. O motivo apresentado foi a necessidade de adaptar os sistemas às novas regras de renda familiar.
Segundo apuração da imprensa, a paralisação reduziu temporariamente as despesas públicas, já que pagamentos ficaram represados. No entanto, houve atraso acumulado com impactos futuros nas contas públicas, incluindo correção monetária sobre valores não pagos.
Dados do INSS indicam que o passivo chegou a cerca de R$ 2,1 bilhões em quatro meses. Em dezembro de 2025, foram pagos R$ 287,6 milhões; entre janeiro e março de 2026, R$ 1,84 bilhão foi quitado. Parte desses recursos foi empurrada para 2026 a pedido do Ministério do Desenvolvimento Social para reorganizar o fluxo de pagamentos.
O ministério afirma que não houve insuficiência orçamentária em 2025, mas relatos internos apontam preocupação com o espaço no Orçamento diante de liberações simultâneas de até 200 mil benefícios. Em ofício, a pasta solicitou que os pagamentos fossem ajustados para janeiro de 2026 para melhorar o fluxo operacional.
A origem do problema está na mudança da regra de cálculo da renda familiar, que passou a excluir descontos antes permitidos por decisões judiciais, como gastos com saúde. A nova legislação exigiu ajuste dos sistemas, processo que levou cerca de seis meses para regulamentação.
Documentos internos revelam que o sistema de concessão foi desligado em 26 de junho de 2025 para pedidos feitos após essa data. O memorando técnico da Dataprev registra que não havia prazo definido no decreto para adaptação às novas regras de renda.
O efeito prático foi a queda no ritmo de concessões: 64,4 mil benefícios médios por mês no primeiro semestre de 2025 caíram para 38,4 mil no segundo semestre, enquanto o estoque de pedidos saltou de 191 mil em julho para 740 mil em novembro.
A retomada começou em dezembro de 2025, porém em ritmo lento, com média de 30,2 mil concessões mensais até janeiro. Nos meses de fevereiro e março de 2026 houve aceleração, com 116,6 mil e 90,4 mil benefícios liberados, respectivamente.
Embora autoridades tenham afirmado que não houve desligamento de ferramentas, documentos oficiais indicam interrupção direta na rotina de concessão. Posteriormente, a Dataprev informou que apenas casos dependentes das novas regras de renda continuavam pendentes.
Entre na conversa da comunidade