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Juros altos prejudicam o devedor, diz economista

Juros elevados e oferta rápida de crédito, impulsionada por fintechs, elevam o endividamento; economista defende educação financeira e cadastro mais rigoroso para evitar Desenrola 2.0

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  • Economista Mauro Rochlin, da Fundação Getúlio Vargas, afirma que o endividamento das famílias está em nível preocupante por causa de juros altos e de programas governamentais que estimulam o crédito.
  • Sobre um possível Desenrola 2.0, ele diz que pode repetir erros do anterior, com o devedor trocando dívida por outra ou aumentando o volume total de endividamento.
  • Propõe investir em educação financeira para conscientizar os consumidores sobre os riscos associados aos juros elevados.
  • O especialista aponta que a bancarização acelerada e a oferta de crédito, especialmente por fintechs, contribuíram para o aumento do endividamento, com cartões de crédito amplamente oferecidos ao abrir contas. O crédito consignado via CLT também reforça o problema.
  • O governo teria exercido papel no problema ao incentivar crédito para estimular consumo, e a solução seria campanhas de conscientização e uma avaliação de cadastro de risco mais rigorosa pelas instituições financeiras.

O economista Mauro Rochlin, da FGV, afirma que juros elevados somados a programas de crédito governamentais agravaram o endividamento das famílias. Ele avalia a possibilidade de um novo programa de renegociação de dívidas pelo governo e alerta para riscos de repetir erros do passado.

Segundo Rochlin, um eventual Desenrola 2.0 pode substituir dívidas por novas obrigações, sem reduzir o peso da dívida total. Em entrevista exclusiva ao CNN Money, ele destaca que esse movimento pode levar o devedor a aumentar o total devido. Educação financeira seria o caminho mais eficaz nesse cenário.

Para o especialista, a ampliação da bancarização, impulsionada pelo crescimento de fintechs, contribuiu para o aumento do endividamento. Ele cita o oferecimento automático de cartão de crédito na abertura de conta como exemplo, especialmente em operações com crédito rotativo.

O economista também aponta que programas como o empréstimo consignado via CLT reforçaram o problema. Rochlin cita a taxa de juros próxima de 15% como fator que sacrificou o devedor e ampliou a dimensão do endividamento.

Governo como parte do problema

Rochlin faz uma leitura crítica sobre o papel do governo nesse contexto. Ele afirma que, embora o governo tenha sinalizado recentemente a intenção de atuar na solução, em momentos anteriores havia um viés de facilitar o crédito para fomentar consumo e crescimento econômico.

Para ele, uma resposta mais efetiva envolve campanhas de conscientização financeira e uma análise de cadastro mais rigorosa pelas instituições, especialmente as fintechs. Essas empresas chegaram ao mercado com estruturas simplificadas, cobrando tarifas baixas ou zero, mas oferecendo crédito rápido com avaliação de risco reduzida.

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