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O novo governo da Hungria pode recuperar a economia em crise?

Mercado reage à vitória do Tisza, com expectativa de reformas e desbloqueio de fundos da União Europeia, mas déficits e crise energética limitam ganhos imediatos

Péter Magyar gestures as he speaks to the media in Budapest, Hungary, Monday, 13 April 2026.
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  • A vitória esmagadora do Partido Tisza de Péter Magyar elevou as ações húngaras, com o índice de ações de Budapeste subindo quase 5% e o forint fortalecendo frente ao euro, para pouco acima de 364 forints por euro.
  • Com a vitória, espera-se desbloqueio de fundos da União Europeia e reformas anticorrupção, reforçando a credibilidade fiscal e o marco institucional (euroadesão). O governo recém-eleito busca acelerar o acesso aos eurofundos de €17 bilhões.
  • Os rendimentos de títulos do governo de dez anos caíram de 7,52% para 6,21% até a metade da semana, sinalizando menor prêmio de risco político. Moody’s afirmou que o novo governo pró-EU tende a ser creditado positivamente.
  • Desafios fiscais são evidentes: déficit esperado próximo de 6% do Produto Interno Bruto, crescimento fraco e dependência de investimentos públicos, com reformas para apoiar produtividade e competitividade.
  • O programa econômico inclui taxação sobre riqueza, investimentos em infraestrutura e um objetivo de adoção do euro até 2030, além de priorizar SME, inovação e maior previsibilidade de políticas, conforme avaliação de analistas.

Ao menos parte dos mercados reagiu com otimismo à vitória esmagadora do Partido Tisza, liderado por Péter Magyar, em uma eleição recebida como promissora para reformas e fundos da UE. A bolsa de Budapeste fechou o dia com alta próxima de 5%.

O forint ganhou fôlego ante o euro, chegando a patamares não vistos desde fev/2022. Até a metade da semana, a cotação ficou em pouco acima de 364 HUF/euro, após tocar níveis acima de 377 no domingo, quando Viktor Orbán reconheceu a derrota.

Resultados de títulos também sinalizaram confiança: juros de 10 anos caíram de 7,52% para 6,21% até a metade da semana. Analistas apontam melhoria na credibilidade fiscal, mas alertam para riscos estruturais e déficits elevados.

O que muda na prática

Oxford Economics informou que a vitória, por si só, não garante continuidade sem ações firmes, mas destacou impacto moderadamente favorável ao cenário de crescimento. Moody’s avalia que governo pró-EU tende a ser positivo para a classificação creditícia.

A Tisza Party tem maioria simples no Parlamento, o que deve favorecer uma transição de políticas mais ágil. Contudo, especialistas ressaltam desafios como baixo crescimento, grande déficit fiscal e necessidade de competitividade com ganhos salariais.

Fundo da UE pode impulsionar investimentos

Zsolt Darvas, da Bruegel, aponta que o otimismo decorre da direção de políticas do governo. Magyar tem sido claro sobre a liberação de fundos da UE, com promessa de desbloquear 17 bilhões de euros congelados por questões de corrupção e estado de direito.

O primeiro-ministro eleito já sinalizou plano de quatro pontos para acesso aos recursos da UE e negocia com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O objetivo é financiar investimento público e apoiar PMEs.

Desafios fiscais e reformas

Especialistas dizem que políticas como cortes de impostos são improváveis face às finanças públicas atuais. Mesmo assim, a proposta de taxação de riqueza pode aumentar receita, enquanto impostos sobre consumo pesariam sobre famílias de menor renda.

A Hungria permanece no âmbito do procedimento de déficit excessivo da UE, com déficit estimado próximo a 6% do PIB no curto prazo, limitando o espaço para políticas expansionistas.

Energia, produção e competitividade

O governo enfrenta pressão energética: o país importa grande parte de petróleo e gás. Economistas destacam que subsídios atuais para manter preços baixos podem piorar o déficit fiscal se mantidos, mas removê-los pode frear o crescimento.

Especialistas defendem mudança estrutural para elevar a produtividade e modernizar o setor privado, com foco em pequenas e médias empresas e maior eficiência energética. A diversificação econômica é tida como essencial para reduzir vulnerabilidades.

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