- Analistas do BTG Pactual estimam lucro líquido do Banco do Brasil entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre, com queda difícil de evitar versus o quarto trimestre de 2025.
- Espera-se margem financeira menor (NII) e provisões para perdas de crédito ainda elevadas, além de deterioração do crédito, principalmente no agronegócio, devido a custos de diesel e variação cambial.
- O guidance anual fica entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões; há risco de frustração das metas também para o segundo trimestre.
- No quarto trimestre de 2025, o banco teve lucro de R$ 5,7 bilhões, favorecido por um benefício tributário pontual; o Q1 fraco não surpreende, mas a magnitude da queda pode surpreender.
- As ações caíram para cerca de R$ 24,44 (queda de 3,7%), com recomendação neutra; Itaú é a compra indicada, Bradesco é opção marginalmente preferida; balanço do BB sai em 13 de maio e reunião com investidores ocorre em 23 de abril.
O BTG Pactual projeta desempenho fraco do Banco do Brasil no primeiro trimestre, com o lucro líquido estimado entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões. Os analistas avaliam que a posição de comparação com o quarto trimestre de 2025 e o ROE devem piorar, pressionando o resultado inicial de 2026.
Segundo a equipe de Eduardo Rosman, o banco já apresentou deterioração desde o início do ano, mesmo com a sinalização de que 2026 seria de transição. Provisões devem manter-se elevadas e a margem financeira (NII) pode ficar abaixo do esperado. Abril e maio são vistos como meses-chave para o desfecho.
O relatório aponta que o quarto trimestre de 2025 teve lucro de R$ 5,7 bilhões, impulsionado por benefício tributário pontual. A expectativa é de que o primeiro trimestre decepcione as expectativas, com a queda sequencial e piora do ROE em relação ao último trimestre sendo mais acentuadas do que o previsto.
Perspectivas e riscos
A qualidade do crédito continua no foco, com pressão no agronegócio devido a custos de diesel e câmbio, e inadimplência acima de 90 dias em deterioração. O crédito corporativo deve se estabilizar após impactos no quarto trimestre; o varejo tende a refletir sazonalidade.
Estimativas indicam queda da formação de inadimplência de R$ 24,5 bilhões no quarto trimestre para cerca de R$ 20 bilhões, mas as provisões devem permanecer elevadas. Os analistas destacam maior probabilidade de queda de lucro antes dos impostos, com a alíquota efetiva de impostos mantendo-se positiva, porém menos favorável que no 4T.
O mercado deve acompanhar com atenção o encontro entre BB, investidores e analistas na próxima semana, em 23 de abril, que pode trazer clarificações sobre a carteira de agronegócio, provisões e sinalização de recuperação. O timing é considerado crucial para avaliar pagamentos da safra.
A recomendação do BTG para as ações do BB permanece neutra, com cautela. Entre grandes bancos, o Itaú é a única recomendação de compra, e o Bradesco aparece como preferência relativa ao BB no momento. O balanço do BB referente ao 1º trimestre será divulgado em 13 de maio.
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