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Vorcaro coloca R$70 milhões no Banco Máxima após medo de bloqueio de bens

Medo de ter bens bloqueados levou Vorcaro a aportar R$ 70 milhões, com sócios somando R$ 30 milhões, para obter aprovação do Banco Central em 2019 e assumir o Máxima

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  • O banqueiro Daniel Vorcaro aportou R$ setenta milhões; outros sócios investiram R$ trinta milhões, totalizando R$ cem milhões, para obter a aprovação do Banco Central em outubro de 2019, oito meses após o primeiro pedido ter sido negado.
  • A motivação foi o medo de ter o patrimônio indisponível em uma eventual liquidação do Banco Máxima, que depois foi rebatizado como Banco Master em 2021.
  • O BC só aceitou a proposta de outubro de 2019 depois que a origem e a qualidade dos recursos ficaram comprovadas, após o indeferimento de fevereiro do mesmo ano.
  • Vorcaro já era considerado “participante qualificado” do Máxima, com mais de quinze por cento das ações e dirigente estatutário, o que, em caso de fechamento, colocaria seus bens pessoais em risco.
  • O processo envolveu uso de letras financeiras subordinadas pelo Máxima para os aportes, além de empréstimos e fianças para consolidar o aporte de Vorcaro e sócios.

O medo de perder bens em caso de liquidação levou Daniel Vorcaro a aportar R$ 70 milhões ao Banco Máxima, hoje Master, para obter a aprovação do Banco Central em outubro de 2019. O total de recursos usados foi de R$ 100 milhões, com a participação de outros sócios.

Segundo apurações, a estratégia foi a de apresentar capital sólido e demonstrar a origem dos recursos, após o pedido inicial ter sido recusado em fevereiro de 2019. A mudança de composição acionária ocorreu entre março e outubro de 2019.

Vorcaro, ainda sem a titularidade formal do banco, era considerado participante qualificado por possuir participação relevante e atuar como dirigente, o que, em caso de fechamento, hedaria seus bens pessoais.

Aporte, origem dos recursos e aprovação

O aporte incluiu R$ 70 milhões de Vorcaro, R$ 20 milhões de Augusto Lima e R$ 10 milhões entre Alberto Maurício Caló e a empresa 133 investimentos. A origem foi apresentada ao BC, que avaliou o capital regulatório.

O banco emisso letras financeiras subordinadas para Vorcaro e sócios, técnica aceita pelo BC para compor patrimônio de referência. Também houve empréstimo de banco da categoria S1, com fiança de outra instituição.

Contexto regulatório e desfecho

Entre fevereiro e outubro de 2019, ocorreram mudanças no comando do BC, com substituição da presidência e de diretores. A transferência de controle foi aprovada em outubro de 2019, quando o Máxima passou a ser controlado por Vorcaro.

O Máxima, à época de 3,9 bilhões de ativos, encerrou o ciclo como Master em 2021, com ativos chegando a patamar próximo de 83 bilhões em 2024. Investigações apontam desvios de ativos após a mudança de branding.

Eventos paralelos e apurações

Documentos obtidos pelo Estadão indicam que Vorcaro apelou a antigos dirigentes do BC para facilitar a transferência de controle. Investigações envolvendo outros colaboradores do BC também estão em curso, sem manifestação oficial das defesas citadas.

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