- O dólar atingiu o menor nível em dois anos, ficando próximo de R$ cinco, com expectativa de estabilizar em torno de R$ cinco vírgula trinta e cinco, abrindo janela para dolarizar a carteira.
- Especialistas dizem que diversificar com ativos no exterior ajuda a proteger a carteira contra inflação local e oscilações de mercado, além de abrir acesso a setores de alto crescimento, como IA e software.
- Em ano eleitoral, ter um portfólio em dólar é visto como estratégia de proteção, permitindo ganhos com câmbio em diferentes cenários de mercado.
- A recomendação de alocação varia conforme o perfil: investir entre dez por cento e quinze por cento em dólar para conservadores, até vinte e cinco por cento para investidores arrojados.
- Em cada perfil, a composição sugerida inclui mais renda fixa nos conservadores (em torno de noventa por cento), com pequenas parcelas de ETFs e fundos multi‑estratégia; investidores moderados mantêm mais equilíbrio entre renda fixa e variável; arrojados aumentam participação de renda variável e ativos globais, incluindo REITs e ETFs.
O dólar atingiu o menor nível em dois anos, com a moeda girando em torno de R$ 5,00. Especialistas dizem que essa é uma janela de oportunidade para investir no exterior, especialmente nos Estados Unidos, beneficiando a diversificação de carteira.
O Valor Investe ouviu especialistas para entender se vale dolarizar, quais perfis se encaixam e quais estratégias usar. O objetivo é mostrar opções de investimento no exterior, com base no momento atual do câmbio.
Por que investir no exterior?
Ter parte da carteira em dólares é visto como proteção contra inflação interna e volatilidade local. Mesmo com o recente rali, a diversificação ajuda a mitigar quedas da bolsa brasileira e expõe o investidor a oportunidades em IA, software e outros setores de maior crescimento.
Em ano eleitoral, um portfólio em dólar é visto como hedge. Segundo Caio Tonet, da W1 Inc., isso permite preparar-se para diferentes cenários de mercado e usar o câmbio a favor, dependendo da direção da curva.
Como estruturar a dolarização
Não há consenso de que o dólar caia mais. Investir no exterior deve ser visto como estratégia de longo prazo, não tentativa de cronometrar o câmbio, segundo Felipe Marcílio, da Inter. A sugestão é aplicar de forma gradual, distribuindo aportes para reduzir riscos.
Especialistas destacam que aportes regulares, ao longo do tempo, costumam superar tentativas de acertar o momento do câmbio. Assim, a carteira pode se beneficiar de janelas de valorização do dólar no futuro, sem exigir aposta única.
Quanto da carteira deve ficar em dólares?
Para investidores conservadores, a orientação fica entre 10% e 15% em dólar. Pessoas mais arrojadas podem chegar a 25%, dependendo do perfil de risco. Em linhas gerais, o tamanho da parcela varia com o apetite por risco e com a composição existente.
A recomendação também leva em conta o around oferta de ativos no exterior. O objetivo é balancear proteção, potencial de retorno e exposição ao crescimento mundial, sem concentrar demais o portfólio no câmbio.
Em quais ativos investir no exterior?
Para o dólar já em carteira, a alocação ideal varia por perfil. Conservador tende a priorizar renda fixa em dólar, com pequenas parcelas de ETFs e fundos multi-estratégia. Moderado busca equilíbrio maior entre renda fixa e renda variável.
Investidores arrojados podem aumentar a participação em renda variável e ETFs, incluindo REITs imobiliários norte-americanos, que podem complementar a carteira com exposição ao mercado imobiliário dos EUA. A ideia é ampliar o leque de opções sem abrir mão da diversificação.
O que observar ao subir o nível de risco
No universo de renda variável, small caps e índices globais entram como opções para quem tem maior tolerância a oscilações. Mesmo com o câmbio, a diversificação global pode oferecer ganhos e proteção, conforme o cenário macroeconômico evolui.
Especialistas ressaltam que a bolsa americana pode apresentar oportunidades, mas também riscos. O equilíbrio entre ativos de diferente natureza, adaptado ao perfil do investidor, é a estratégia recomendada para quem busca atuação internacional.
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