- O fechamento total do Estreito de Hormuz, se ocorrer, pode impactar o agronegócio brasileiro, pressionando inflação e a taxa Selic.
- Cerca de 30% do comércio internacional de fertilizantes passa pelo estreito; no Brasil, entre 80% e 90% dos fertilizantes são importados, grande parte do Oriente Médio, e 40% da ureia produzida no Brasil também passa pela rota.
- Se a passagem seguir fechada por meses, espera-se alta de preços de fertilizantes e de alimentos; o petróleo alto pode elevar custos de energia, transporte e economia.
- A projeção de inflação para 2026 chegou a 4,71% na pesquisa Focus, acima do teto da meta de 4,5%; cenário de guerra amplia riscos inflacionários e pode atrasar cortes da Selic.
- Investimentos: ações de petroleiras valorizaram-se, enquanto títulos de renda fixa registraram quedas; títulos pós-fixados podem se beneficiar com a Selic em patamar elevado por mais tempo.
O fechamento total do Estreito de Hormuz, se ocorrer, pode afetar o agronegócio brasileiro ao pressionar a inflação e a taxa Selic. A decisão de Trump em relação à guerra no Irã é o gatilho citado para entender esse possível cenário. O texto compila dados de órgãos internacionais e projeções econômicas para explicar as possíveis consequências no curto e médio prazo.
O principal canal de impacto é o preço dos fertilizantes e do petróleo. Cerca de 30% do comércio mundial de fertilizantes passa por Hormuz. No Brasil, entre 80% e 90% dos fertilizantes são importados, grande parte do Oriente Médio. O Estreito também concentra 40% da ureia produzida no país, segundo a OMC.
Se a rota ficar fechada por meses, pode haver escassez e alta de preços, o que tende a elevar o custo dos alimentos. Analistas apontam que o efeito pode se amplificar em itens básicos e no ritmo inflacionário brasileiro, especialmente se a troca de insumos demorar a se reequilibrar.
Inflação e juros sob pressão
Na segunda-feira, a pesquisa Focus do BC indicou alta na projeção de inflação para 2026, para 4,71%. A leitura de março mostrava 3,91%. Dados recentes sugerem que o cenário internacional elevou as expectativas de preços, especialmente de alimentos, caso Hormuz siga fechado.
Caso o estreito permaneça fechado, espera-se aumento das expectativas de inflação e de preços de alimentos a partir do segundo semestre. O petróleo mais caro tende a elevar combustíveis, transporte e custos logísticos no país.
A meta de inflação é 3%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou menos. Com 4,71% projetados para 2026, o cenário pode obrigar o BC a manter juros mais altos por mais tempo. A ata do comitê já sinalizou a possibilidade de revisar o ritmo de cortes diante de volatilidade externa.
Situação do mercado de ativos
As ações ligadas ao petróleo mostram desempenho expressivo desde o início do conflito. Petrobras registrou alta de aproximadamente 24,8% desde 27 de fevereiro, com ganhos acumulados no ano próximos de 65%. Enauta, Prio e PetroRecôncavo também avançaram.
Em renda fixa, avessos a risco pressionam títulos prefixados e atrelados à inflação, que recuaram desde o início das tensões. Investidores em papéis pós-fixados, que acompanham a Selic, devem encontrar melhor relação risco-retorno com o aperto monetário.
Impactos setoriais e próximos passos
O agronegócio pode sentir insumos mais caros e, por consequência, pressão de custos. O câmbio e o petróleo alto afetam a logística e a rentabilidade de produtores, exportadores e importadores. Expertises indicam monitoramento de precificação de fertilizantes e reajustes de contratos.
Investidores devem observar a evolução de Hormuz, movimentos da OMC e comunicados do Banco Central. A recomendação é manter diversificação e cautela diante de cenários de alta volatilidade. Aguardam-se novas projeções oficiais e decisões de política monetária.
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