- O BRB busca cobrir perdas associadas a operações com o Banco Master, estimadas em até R$ 5 bilhões, conforme o Banco Central, com o patrimônio líquido do BRB em torno de R$ 4,9 bilhões no terceiro trimestre de 2025.
- A auditoria realizada pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte da Kroll, concluiu o diagnóstico para avaliação pela Polícia Federal, após investigação sobre ativos supostamente fraudulentos.
- A polícia prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ligado aos desdobramentos da operação Master.
- A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, busca soluções para capitalizar o banco, incluindo possível empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos e venda de ativos do Master a uma gestora, que renderia até 4 bilhões de reais à vista.
- O BRB enfrenta rebaixamentos de rating (Moody’s e Fitch) e mantém reserva de‑crédito já elevada, com relatos de deterioração da qualidade de ativos e riscos de calote caso não haja aporte de capital.
O BRB entrou em uma corrida para cobrir o rombo deixado por operações relacionadas ao Banco Master, que pode superar os 5 bilhões de reais. A instituição do Distrito Federal comprou créditos avaliados em 12,2 bilhões, considerados falsificados, e admite recuperação parcial do valor.
Segundo o Banco Central, o montante necessário para regularizar as perdas pode alcançar até 5 bilhões, em função da baixa qualidade dos ativos. Dados apontam que o BRB tinha, no terceiro trimestre de 2025, patrimônio líquido estimado em 4,9 bilhões de reais.
A magnitude real dos danos ainda não está clara, pois a gestão anterior é alvo de investigações por participação na fraude. Na quinta-feira, a Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele comandou o banco entre janeiro de 2019 e novembro de 2025.
Auditoria e consequências
A avaliação da condição do BRB foi feita pelo escritório Machado Meyer Advogados com suporte técnico da Kroll. O relatório final foi encaminhado à Polícia Federal no início de abril para adoção de medidas cabíveis. O conteúdo não foi divulgado na íntegra pela instituição.
O raio-x financeiro após a auditoria ainda não foi tornado público. O BRB deveria apresentar o balanço de 2025 até o fim de março, mas informou ter adiado a publicação para concluir os trabalhos da auditoria forense e avaliar impactos potenciais.
Medidas em curso e cenário político
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, busca evitar a quebra do BRB e apresentou um plano técnico ao Banco Central. Entre as opções estão um empréstimo via Fundo Garantidor de Créditos e a venda de ativos do Master a uma gestora, o que renderia até 4 bilhões de reais à vista.
Outros caminhos envolvem aportes do controlador. O BRB é sociedade de economia mista com capital aberto e o governo do DF detém 53,71% das ações. Em março, uma lei autorizou o socorro ao banco, incluindo a possibilidade de operações de crédito de até 6,6 bilhões com o FGC ou instituições financeiras.
Contexto financeiro e avaliação de risco
Em setembro do ano passado, o BRB possuía carteira de crédito de 57,2 bilhões de reais, com metade em crédito consignado. Houve desvalorização recente na Bolsa, com queda superior a 40% neste ano. Em novembro de 2025, agências reduziram a nota de risco para CCC pela Fitch; Moody’s também rebaixou para CCC+ em 1º de abril.
O banco já trabalhava com uma provisão de 8,8 bilhões de reais para cobrir possíveis perdas associadas ao caso Master. A Moody’s ressalta que o perfil de crédito é fraco e pode exigir aportes adicionais de capital para evitar deterioração ainda maior.
Panorama institucional
A linha de atuação envolve venda de ativos, aumento de capital e reavaliação de portfólios. O objetivo imediato é recompor a liquidez e fortalecer o nível de capital regulatório, diante do cenário de incerteza sobre a extensão do rombo. As informações oficiais sobre o balanço permanecem em monitoramento.
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