- O contrato futuro de cacau mais ativo de Nova York caiu mais de setenta por cento em relação ao recorde, com queda da demanda também observada.
- A indústria aposta que o ritmo de processamento deve melhorar conforme grãos mais baratos entram na cadeia de suprimentos, contribuindo para reduzir o preço das barras de chocolate.
- Dados de moagem apontam queda no primeiro trimestre: Europa deve recuar seis por cento ante o mesmo período do ano anterior, Ásia no menor patamar em oito anos e América do Norte, queda mais moderada.
- A moagem na Malásia avançou cerca de nove por cento no primeiro trimestre, em relação ao ano anterior.
- Consumidores reduziram as compras de chocolate: vendas na América do Norte caíram cerca de 1,3% nas 13 semanas encerradas em vinte e dois de março; quase 40% dijeron que comprariam menos na Páscoa, e quase 25% para o Dia dos Namorados.
O contrato futuro de cacau mais ativo em Nova York caiu mais de 70% em relação ao seu recorde, sinalizando forte desvalorização diante de perspectivas de excedente. A demanda também recuou, contribuindo para a queda rápida dos preços e para a melhoria esperada no ritmo de processamento com grãos mais baratos.
Consumidores reduziram compras de chocolate, e as indústrias trabalham com estoques caros ou receitas que usam menos cacau. A alta histórica de 2024 temperou o setor, levando a ajustes que persistem diante do desaquecimento da demanda.
Jonathan Parkman, da Marex Group, aponta mudança profunda no mercado, não apenas nos preços, mas na estrutura. Analistas esperam que a moagem em 2026 seja menos desgastante após o susto inicial do aperto de oferta.
Panorama de moagem e demanda
Dados de moagem do primeiro trimestre devem sinalizar fraco desempenho na Europa, maior consumidor, com queda prevista de 6% ante o mesmo período de 2024, segundo pesquisa da Bloomberg com traders e analistas.
A Ásia deve apresentar o nível mais baixo de moagem no primeiro trimestre em oito anos, enquanto a América do Norte registra queda menos acentuada. Os resultados são esperados para quinta-feira (16).
Malásia registrou alta de cerca de 9% nas moagens do primeiro trimestre, conforme comunicado do Malaysian Cocoa Board e do Cocoa Manufacturers Group.
Impacto no consumo e tendências
Apesar da queda de demanda, parte das mudanças pode se manter como tendência estrutural, com receitas substitutas de manteiga de cacau em uso. Empresas avaliam soluções para reduzir dependência de cacau convencional.
A família de produtos com manteiga de cacau substituída por gorduras vegetais busca manter sabor, enquanto o setor investiga ingredientes alternativos para reduzir vulnerabilidade a choques de oferta.
No setor de chocolate, a demanda de consumo norte-americana para doces recuou em 13 semanas até 22 de março, segundo Circana. Pesquisas indicam que quase 40% dos consumidores reduzem gastos na Páscoa, e quase 25% na ocasião do Dia dos Namorados.
Perspectivas e respostas do mercado
Fabricantes de confeitos avaliam o cenário como desafio de longo prazo, buscando maior resiliência em cadeias de suprimento. Há interesse de empresas com recursos para planejar o futuro sem depender do cacau tradicional.
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