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CNI aumenta projeção do PIB para 2026 de 1,8% para 2%

CNI eleva previsão do PIB em 2026 para 2%, com contribuição da indústria extrativa e serviços, e ressalta necessidade de mais investimentos para sustentar o ritmo

Indústria extrativa teve projeção de crescimento em 2026 revista pela CNI, de alta de 1,1% para 7,8% — Foto: Reprodução
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  • A projeção de crescimento do PIB para 2026 subiu para dois por cento.
  • A indústria deve avançar para um vírgula seis por cento; serviços para dois vírgula um por cento; agropecuária para um por cento.
  • A indústria extrativa passa a prever alta de sete vírgula oito por cento, enquanto a indústria de transformação fica em três décimos por cento.
  • O consumo das famílias deve subir dois por cento e os investimentos seis décimos por cento.
  • O governo deve registrar déficit de sessenta e um bilhões de reais; dívida pública em oitenta e dois vírgula dois por cento do PIB; exportações em US$ 354,3 bilhões e importações em US$ 281,5 bilhões.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para cima sua projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026, de 1,8% para 2%. A previsão para a indústria subiu de 1,1% para 1,6%. As estimativas constam no Informe Conjuntural do 1º Trimestre, divulgado nesta sexta-feira (17).

Os serviços passaram de 1,9% para 2,1%, e a agropecuária ganhou fôlego, de 0% para 1,1%, indicando melhoria generalizada das perspectivas. A CNI aponta três fatores como motivadores dos ajustes: alta da indústria extrativa, safra melhor que o esperado e expansão do setor de serviços impulsionada pela política fiscal.

No entanto, o reporte ressalta que o crescimento permanece com desequilíbrio entre consumo e investimento. Sem aumento significativo de investimentos, o ritmo de expansão pode ficar comprometido, segundo o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.

Impulso da indústria extrativa

A indústria extrativa deve puxar o desempenho industrial em 2026, com a projeção passando de 1,1% para 7,8%. A alta é atribuída à produção de petróleo e minério de ferro, além de elevação do preço do barril impulsionada pela guerra no Oriente Médio.

Por outro lado, a indústria de transformação enfrenta cenário adverso. Custos financeiros elevados, queda da demanda, maior participação de importações, custos de mão de obra e carga tributária pressionam o setor, que deve crescer apenas 0,3%.

Construção e serviços

O setor da construção pode receber impulso de lançamentos residenciais e políticas de crédito para reformas de moradias de renda baixa, mas continua pressionado por juros altos, com a projeção caindo de 2,5% para 1,3%.

A melhora esperada para os serviços acompanha o aumento do rendimento dos trabalhadores, maior gasto público e isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. O endividamento das famílias, porém, pode frear esse dinamismo.

Agro e exterior

A agropecuária registra revisão para cima em função da safra mais favorável e do bom desempenho da pecuária. O comércio externo também deve contribuir: exportações devem crescer 1,1% e atingirem US$ 354,3 bilhões, enquanto as importações recuam 3,2%, para US$ 281,5 bilhões.

A balança comercial deve fechar com saldo de US$ 72,8 bilhões, fortalecendo o cenário externo diante da alta de commodities e da recuperação de mercados na região. Essas condições ajudam a sustentar o desempenho global.

Mercado de trabalho e inflação

Mesmo com a moderação da atividade, o mercado de trabalho tende a permanecer aquecido, com expectativa de alta de 1% da ocupação e desemprego em 5,2% no fim de 2026. A massa de rendimentos reais pode subir cerca de 4,7%.

As pressões inflacionárias persistem, com núcleos de inflação acima do IPCA cheio. A Selic deve encerrar 2026 em 12,75% e as concessões de crédito ficariam 2,2% acima do ano anterior, diante do cenário externo e de riscos geopolíticos.

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