- Especialista afirma que endividamento dos brasileiros está em níveis altos, com alerta tanto para governo quanto para o sistema financeiro.
- Observa que há desconexão entre política fiscal e política monetária, que permanece conservadora para controlar a inflação.
- Governo tem utilizado o Desenrola 2.0 com liberação do FGTS para pagamento de dívidas, mas isso é visto como medida paliativa.
- Dívida pública deve passar de setenta e um vírgula sete por cento do PIB em 2023 para acima de oitenta e três por cento até 2026, elevando o prêmio de risco das taxas de juros.
- Risco moral é citado como preocupação: renegociações periódicas de dívidas podem incentivar inadimplência, dificultando acesso a crédito mais barato no futuro.
O ajuste fiscal no Brasil aparece desconectado da política monetária, segundo especialistas. Jefferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA, afirmou que o país vive um ciclo vicioso de endividamento. A avaliação foi feita em entrevista veiculada pelo CNN Money, nesta quinta-feira (16).
Bittencourt destacou que o Banco Central tem adotado uma postura conservadora para controlar a inflação, enquanto a política fiscal segue rumo distinto. O resultado, segundo ele, é uma tentativa de contenção que não acompanha as pressões da atividade econômica no curto prazo.
O governo vem recorrendo ao FGTS como parte do Desenrola 2.0 para quitar dívidas, mas essa solução é vista como paliativa. O economista ressaltou que a dívida pública cresce de forma estrutural, elevando o prêmio de risco das taxas de juros e dificultando o acesso do setor privado ao crédito.
Crescimento da dívida e impactos
Bittencourt afirmou que a dívida brasileira iniciou 2023 em cerca de 71,7% do PIB e deve superar 83% até 2026. O aumento amplia o custo da dívida e influencia o endividamento privado, segundo ele, exercendo pressão sobre as condições de crédito.
Em relação a medidas de renegociação, o especialista alertou para o risco moral envolvido. Programs recorrentes de renegociação podem reduzir incentivos à adimplência, caso não haja um arcabouço fiscal crível.
Segundo o economista, sem ajuste fiscal mais agressivo, a trajetória de crescimento da dívida compromete a oferta de crédito a empresas e cidadãos. Ele comparou o atual cenário aos níveis de juros reais próximos ao período anterior ao impeachment, sugerindo vulnerabilidade caso não haja mudanças.
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