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FMI alerta vulnerabilidade da Ásia a choque energético da guerra

FMI alerta que a Ásia é mais vulnerável a choque energético pela dependência do petróleo do Oriente Médio, elevando inflação e freando o crescimento

Krishna Srinivasan na reunião de primavera do FMI e Banco Mundial em Washington, em 16 de abril — Foto: REUTERS/Ken Cedeno
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  • O FMI alerta que a Ásia é mais vulnerável a um choque energético por depender fortemente de combustíveis do Oriente Médio.
  • O uso de petróleo e gás na região representa cerca de 4% do PIB, e as importações líquidas equivalem a aproximadamente 2,5% do PIB.
  • Em cenários adversos, o crescimento da Ásia pode cair entre 1 e 2 pontos percentuais até 2027; em tom mais brando, o FMI projeta queda de 5,0% para 4,4% em 2026 e 4,2% em 2027.
  • O choque pode provocar inflação mais alta, crescimento mais fraco e saldos em conta-corrente mais frágeis, com impactos maiores se o conflito durar.
  • O FMI recomenda política cautelosa dos bancos centrais e uso focal de apoio fiscal, evitando medidas amplas de subsídio a combustíveis.

A Ásia está mais vulnerável a um choque energético do que outras regiões, devido à forte dependência de petróleo do Oriente Médio. A afirmação é do Krishna Srinivasan, diretor do Departamento Ásia-Pacífico do FMI, em entrevista à Reuters. Ele alerta para impactos significativos no crescimento caso a guerra se prolongue e provoque escassez de oferta.

Segundo o FMI, a economia asiática iniciou 2026 em posição robusta, beneficiada por tarifas americanas menores, um ciclo de tecnologia aquecido e condições financeiras mais flexíveis. Esses fatores ajudam a compensar parcialmente a pressão causada pelo choque energético, mantendo as projeções de crescimento quase inalteradas em relação a janeiro.

O FMI aponta que o uso de petróleo e gás representa cerca de 4% do PIB da Ásia, quase o dobro do observado na Europa. Com limitada capacidade de produção, as importações líquidas de energia respondem por cerca de 2,5% do PIB regional. O choque pode elevar a inflação, reduzir o crescimento e fragilizar saldos em conta corrente.

Perspectivas de cenários

Em seu cenário base, o FMI projeta crescimento da Ásia caindo de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,2% em 2027. Em cenários adversos, a queda pode chegar a 1 a 2 pontos percentuais até 2027. O relatório destaca que o preço e a disponibilidade de insumos ficam mais voláteis sob choque prolongado.

O conflito prolongado pode ainda afetar a oferta de químicos derivados de petróleo usados na produção industrial e agrícola, elevando não apenas preços, mas também a escassez de itens. Se as condições se agravarem, o impacto sobre o crescimento tende a ser mais acentuado.

Em respostas políticas, o FMI recomenda cautela e agilidade dos bancos centrais da região. Medidas de aperto podem ser lançadas se as expectativas de inflação se rearranjarem. Subsídios amplos a combustíveis e controles de preços devem ser usados com cuidado, por serem caros e distorcivos.

Reações regionais e impactos setoriais

O ministro das Finanças da Tailândia, Ekniti Nitithanprapas, afirmou que o efeito econômico do conflito é severo para o país, grande importador de energia. Ele ressaltou preocupações com a possibilidade de danos contínuos à infraestrutura de petróleo e gás na região.

A inflação na Ásia pode subir de 1,4% em 2025 para 2,6% neste ano, antes de recuar para 2,4% em 2027, segundo o FMI. Políticas fiscais devem priorizar apoio direcionado às pessoas mais vulneráveis, sem estimular déficits insustentáveis.

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