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Guerra pode elevar inflação, mas arrecadação pode crescer, diz IFI

Guerra pode elevar inflação do Brasil em até 1 p.p. em 2026, mas Brent mais caro pode melhorar a arrecadação e reduzir o déficit no curto prazo

No médio e longo prazo, efeitos negativos da inflação elevada aparecerão na economia
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  • O estudo do Instituto Fiscal Independente aponta que a guerra no Oriente Médio elevará a inflação brasileira entre 0,7 e 1,0 ponto percentual em 2026, e entre 0,2 e 0,5 p.p. em 2027.
  • O preço do petróleo Brent subiu para cerca de 100 dólares o barril, o que pode reduzir o déficit público no curto prazo, com estimativa de queda do déficit primário de -0,7% do PIB para até -0,1% em 2026.
  • O IFI prevê receitas adicionais nos próximos dois anos, entre 25,9 bilhões e 56,9 bilhões de reais em 2026, e entre 42,0 bilhões e 82,2 bilhões de reais em 2027, devido a royalties, imposto de exportação e inflação.
  • Os dividendos da Petrobras devem aumentar com a alta do Brent, beneficiando o governo como maior acionista.
  • Entretanto, gastos do governo, como subsidiações de combustíveis, linhas de crédito a companhias aéreas e desonerações, somam 14,3 bilhões de reais em 2026 e podem reduzir o efeito positivo da alta do petróleo nas contas públicas.

O Instituto Fiscal Independente (IFI) projeta que a guerra no Oriente Médio deve elevar a inflação no Brasil entre 0,7 e 1,0 ponto percentual em 2026, com queda mais moderada entre 0,2 e 0,5 p.p. em 2027. O estudo é apresentado no Relatório de Acompanhamento Fiscal de abril divulgado pelo Senado nesta quinta-feira (16.abr.2026).

Segundo o IFI, o aumento ocorre em função da alta do preço do petróleo, com o barril Brent chegando a cerca de US$ 100 após a intensificação dos conflitos entre Estados Unidos e Irã. Essa piora no quadro inflacionário pode, ao mesmo tempo, ampliar as receitas com commodities e reduzir o déficit primário no curto prazo.

A instituição aponta que as receitas extras de impostos sobre petróleo, incluindo royalties e exportação, podem variar de R$ 25,9 bilhões a R$ 56,9 bilhões em 2026 e de R$ 42,0 bilhões a R$ 82,2 bilhões em 2027. Estados e municípios também devem ser beneficiados por esse impulso fiscal.

Apesar do ganho fiscal estimado, o IFI ressalva que gastos do governo podem neutralizar parte desse efeito. Medidas anunciadas pelo Planalto para conter os preços dos combustíveis envolvem renúncias fiscais e subsídios que devem custar cerca de R$ 14,3 bilhões em 2026.

Entre os fatores de risco, o IFI destaca a possibilidade de impactos negativos mais duradouros da inflação elevada, que pressionariam gastos com previdência, benefícios sociais e seguro-desemprego. Juros elevados, com a taxa Selic mantendo-se em patamar alto, também podem restringir o crescimento e elevar o saldo de juros da dívida pública.

O relatório mantém a projeção de crescimento do Brasil em 1,7%, ainda que haja risco de baixa do PIB nos próximos anos. O cenário depende da extensão do conflito e da reabertura do Estreito de Ormuz, fonte de cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente.

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