- O mercado de crédito privado opera com cautela após notícias negativas de empresas, como recuperações extrajudiciais de Raízen e GPA, segundo Pedro Rudge, diretor da Anbima e sócio da Leblon Equities.
- O investidor está mais arredio ao crédito privado e menos tolerante ao risco, influenciado pela guerra no Irã e pela incerteza macroeconômica, o que favorece realocações de carteira.
- Houve pressão de custos e saídas de recursos em alguns fundos recentemente, mas, a longo prazo, preços baixos voltaram a atrair investidores que enxergam oportunidades.
- Casos como o Master mostram que o FGC não deve ser o principal motivo para investir, e que o seguro não pode ser o argumento de venda; é necessário avaliar risco, liquidez e fundamentos.
- A indústria aposta em ETFs ativos como complemento aos ETFs passivos, com foco em regulação adequada; a captação líquida dos fundos no primeiro trimestre ficou próximo de R$ 160 bilhões, a maior em cinco anos.
O mercado de crédito privado opera com cautela após notícias corporativas negativas, como recuperações extrajudiciais de Raízen e GPA. O diretor da Anbima, Pedro Rudge, aponta maior aversão ao risco entre investidores e realocação de recursos em razão do cenário externo.
Segundo ele, o investidor ficou mais arredio a crédito privado, especialmente diante da guerra no Irã, que aumenta a percepção de risco. A mudança de humor é vista como normal frente a incertezas geopolíticas, com fluxo de recursos ajustado.
Casos específicos de empresas em dificuldade pressionaram o segmento, levando a saídas de recursos de alguns fundos e a desempenho abaixo do esperado, nos últimos dias. Com o tempo, o mercado enxergou preços mais baixos como oportunidade.
O preço viu-se como porta de entrada para investidores com visão de médio e longo prazos. Profissionais do setor seguem ativos em negociações, mesmo diante da volatilidade, com gestores buscando equilibrar carteira e risco.
Cabe ao gestor identificar sinais de dificuldade e ajustar a alocação. O investimento em fundos tem sido feito de forma contida, e o setor não aponta problemas estruturais, segundo o executivo.
No caso Master, a lição é não depender apenas da cobertura do FGC. O seguro não deve ser o principal argumento de venda de um investimento, e a decisão precisa considerar outros fatores de risco.
Há também atenção aos papéis isentos, com ressalva sobre a forma como parte do público avalia esses ativos. O investidor deve considerar risco e liquidez antes de analisar benefícios fiscais.
A renda fixa permanece na dianteira das captações, impulsionada pelos juros elevados. Em ações, existem oportunidades, porém dependentes de um contorno macroeconômico favorável, como a redução de juros.
O ambiente eleitoral pesa sobre o custo de risco. Caso candidatos sinalizem austeridade fiscal, pode haver maior disposição a assumir riscos, mas qualquer novo governo enfrentará desafios fiscais.
Apesar disso, a visão sobre os fundamentos corporativos permanece positiva, com expectativa de continuidade do crescimento das empresas. Mudanças estruturais incluem debates sobre ETFs, com foco em maior participação de ativos ativos.
A indústria discute a regulação de ETFs ativos, além dos já existentes ETFs passivos que replicam índices com custos baixos. A Anbima avalia flexibilizações regulatórias com a CVM para ampliar opções de gestão.
Segundo Rudge, o setor apresenta espaço para crescer, desde que o investidor permaneça seletivo e exija informação e preço transparentes. A captação líquida dos fundos no primeiro trimestre somou quase 160 bilhões de reais, a maior em cinco anos, impulsionando a perspectiva de expansão.
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