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Salário pode cair com fim da escala 6×1, apontam economistas

Fim da escala 6x1 divide economistas: impactos sobre salários, inflação e vagas dependem de produtividade e políticas públicas

Segunda parcela do décimo terceiro salário é de menor valor, pois sofre descontos de Imposto de Renda e de INSS
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  • O projeto de lei em discussão na Câmara prevê fim da escala 6×1, com redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e de seis para cinco dias de trabalho.
  • Economistas divergem: há quem diga que salários podem ficar menores e benefícios podem cair; há quem afirme que a redução não terá grandes efeitos e que produtividade pode subir.
  • Parte dos especialistas vê melhoria de vida dos trabalhadores como caminho para maior produtividade, mas alerta para a necessidade de crescimento econômico e qualificação profissional para evitar impactos negativos.
  • Casos internacionais citados pelo governo incluem Chile, Colômbia e países europeus, com França, por exemplo, adotando 35 horas semanais desde os anos dois mil.
  • Principais riscos apontados são aumento da informalidade e repasse de custos para preços; defesa de políticas públicas, educação técnica e uso de tecnologia para acompanhar a mudança.

O projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1 está em discussão na Câmara dos Deputados, com incertezas sobre a aprovação. Economistas divergem sobre impactos para salários, inflação e geração de vagas, diante de mudanças na jornada de trabalho.

O texto encaminhado pelo presidente Lula prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e mudança da escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado. O Valor Investe ouviu especialistas para sinalizar possíveis efeitos.

Economistas destacam que salários de futuras contratações podem recuar se o custo do empregador subir para manter a folga. A leitura é de achatamento de ganhos, com possibilidade de redução de comissões ou de benefícios como vale-refeição e plano de saúde.

Já outros, como o economista-chefe da Warren Investimentos, esperam que a simples redução da jornada não cause grandes alterações salariais. A avaliação aponta que o mercado de trabalho hoje está apertado e a produtividade pode subir, compensando impactos.

A defesa da mudança aponta ganho de produtividade e melhoria de condições de vida. O governo federal afirmou que jornadas mais equilibradas reduzem afastamentos e rotatividade, além de estarem alinhadas a avanços tecnológicos e a ganhos de produtividade.

Para especialistas, a adoção da medida depende de políticas complementares. A automação e o treinamento adequado podem sustentar ganhos de produtividade, especialmente se houver apoio público para requalificação de trabalhadores.

Casos internacionais citados pelo governo apontam avanços com 40 horas semanais na Europa, França com 35 horas históricas e exemplos de Chile e Colômbia em transição. Avaliações locais ressaltam que nem sempre ganhos de vagas ocorrem sozinhos.

Some especialistas defendem que o custo adicional poderia ser repassado aos preços, o que impactaria o poder de compra. O debate também envolve se o governo deve ou não oferecer incentivos para compensar custos, o que é visto com cautela por parte de economistas.

A maior preocupação fica com a informalidade. Estima-se que cerca de 37% dos trabalhadores no Brasil são informais, o que pode aumentar diante de custos maiores para contratação formal. Pequenas empresas, em especial, seriam mais atingidas.

Em cidades e negócios de menor porte, o efeito tende a ser mais intenso. Pesquisadores apontam que mais de 90% da força de trabalho formal opera em empresas com até 10 empregados, o que reduz capacidade de absorver custos adicionais.

Próximos passos incluem avaliação de políticas públicas, qualificação de trabalhadores e uso de tecnologias. Economistas ressaltam que é preciso revisar abonos, seguro-desemprego e regras atuais para entender impactos reais no mercado de trabalho.

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