- A organização ICRICT defende imposto sobre lucros “extraordinários” de empresas de energia, aplicado a ganhos ligados à guerra no Oriente Médio.
- A tributação seria sobre lucros ligados ao conflito, não sobre investimentos produtivos, e não impactaria o consumo de energia; propõe um mecanismo permanente e automático quando os preços excederem um limite.
- A proposta é apresentada como “imperativo moral” e tem entre seus membros Josép h Stiglitz e Thomas Piketty.
- O aumento dos preços desde o início dos ataques entre EUA, Israel e Irã afeta fornecedores e gera risco de inflação disseminada pela cadeia industrial, atingindo insumos como fertilizantes.
- Em 4 de abril, cinco países da União Europeia (Alemanha, Áustria, Espanha, Itália e Portugal) pediram a criação de imposto sobre lucros extraordinários de empresas de energia para financiar subsídios aos consumidores.
O grupo ICRICT, copresidido pelo economista vencedor do Nobel Joseph Stiglitz, defende a criação de um imposto sobre lucros extraordinários das empresas de energia. A proposta surge como resposta ao aumento dos preços da energia associado à guerra no Oriente Médio.
Segundo a organização, a medida seria eficaz para compensar o repique de custos, sem atingir investimentos produtivos nem promover inflação, já que o imposto incidira sobre lucros ligados ao conflito. O mecanismo seria permanente e automático, acionado quando houver elevação de preços acima de um limite preestabelecido.
A ICRICT aponta que o aumento de preços tem impacto desproporcional sobre trabalhadores, agricultores e países importadores de combustíveis fósseis, enquanto grandes corporações acumulam ganhos extraordinários. A inflação resultante também poderia afetar cadeias produtivas, elevando custos de insumos como fertilizantes e metais.
Proposta em discussão
Em 4 de abril, cinco países da União Europeia defenderam a ideia de um imposto sobre lucros extraordinários de empresas de energia. Os ministros das Finanças protocolaram pedidos a instituições europeias para a criação de um regime comum na UE, com a arrecadação voltada a subsídios para reduzir tarifas aos consumidores.
A proposta europeia destaca que a cobrança permitiria financiar alívios temporários aos usuários de energia, contribuindo para conter a inflação sem aumentar excessivamente as despesas públicas. Os preços do petróleo mostraram alta expressiva desde o início do conflito, elevando a pressão sobre as famílias.
Contexto atual
Desde o início dos ataques entre Estados Unidos e aliados contra o Irã, o comércio de energia tem vivido turbulência no Golfo. Altos preços afetam diretamente custos de produção e distribuição, ampliando o peso sobre governos e bancos centrais, que enfrentam riscos de desaceleração econômica. A reportagem utiliza informações de fontes internacionais.
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