- Grandes varejistas de moda, incluindo Riachuelo e Renner, contestam o termo “taxa das blusinhas” e sugerem chamar de “incentivo chinês, para refletir o problema real.
- Executivos afirmam que o tributo favorece compras internacionais por meio do cross border, prejudicando a indústria brasileira e mantendo preços ainda maiores para itens nacionais.
- A lei de agosto de 2024 estabelece alíquotas de 20% para compras internacionais até US$ 50 e 60% entre US$ 50 e US$ 3 mil, com ICMS estadual somando de 17% a 20%, resultando em carga total de cerca de 40% a 50% do valor.
- Em torno de 350 mil empregos abrangem Riachuelo, Renner e a terceira maior rede (C&A) quando considerada toda a cadeia produtiva.
- O governo defende a taxa para cumprir a meta fiscal; pesquisas apontam perda de apoio à medida, com 62% dos brasileiros vendo o tributo como erro, segundo AtlasIntel em parceria com a Bloomberg.
A expressão conhecida como “taxa das blusinhas” ganha tônus crítico entre grandes varejistas de moda do Brasil. As empresas defendem o uso de um termo que traduza o impacto real do tributo sobre compras internacionais e a competitividade da indústria nacional. Relatos internos indicam que o rótulo atual minimiza o efeito nocivo percebido.
Executivos apontam que o imposto, somado ao ICMS, pode chegar a metade do preço de produtos importados comprados por meio de plataformas internacionais. Em comparação, o custo tributário para itens fabricados no Brasil chega a cerca de 90% entre impostos diretos e indiretos, segundo estimativas das próprias varejistas.
As companhias afirmam que o modelo cross border, utilizado por marketplaces como Shein e AliExpress, cria distorções de preço favoráveis a importações. Alegam ainda que reduzir impostos para todos reduziria o valor final ao consumidor brasileiro e manteria a competitividade das lojas nacionais.
Mudança de nomenclatura e implicações
No debate público, executivos defendem que o termo passe a refletir um incentivo efetivo a países estrangeiros, em detrimento do desempenho da indústria local. Eles destacam que, se a tributação sobre itens importados fosse semelhante à aplicada internamente, os preços dos produtos nacionais poderiam cair sem perder arrecadação.
Segundo eles, a política tributária atual favorece exportações para o Brasil e aumenta a carga sobre empresas brasileiras. A Renner e a Riachuelo, juntas entre as maiores do setor, empregam cerca de 350 mil pessoas em toda a cadeia produtiva.
Contexto fiscal e reação oficial
O governo mantém a cobrança, argumentando que a taxa ajuda a cumprir metas fiscais e corrige distorções de mercado. Em 2025, a arrecadação com o imposto de importação sobre encomendas internacionais atingiu aproximadamente R$ 5 bilhões. A posição oficial sustenta que o modelo busca equilíbrio entre comércio exterior e produção doméstica.
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