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Conflito no Irã revela fragilidades da transição energética na Índia

Guerra no Irã expõe fragilidades da transição energética da Índia, que depende da China para modernizar a rede, enquanto um quarto da energia renovável chega aos consumidores

Funcionário checando funcionamento de equipamentos em parque de energia solar do grupo Adani, em Khavda, na Índia
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  • A guerra no Irã reduziu o fluxo de gás e petróleo importados pela Índia, aumentando a dependência de renováveis.
  • A rede elétrica do país é antiga e não consegue entregar consistentemente a energia gerada, afetando 1,4 bilhão de habitantes.
  • Índia pode chegar a gerar mais da metade da eletricidade por fontes renováveis, mas apenas cerca de um quarto dessa energia chega aos consumidores.
  • Para modernizar a rede e armazenar energia, o país precisa de equipamentos da China, incluindo baterias e componentes de transmissão.
  • A dependência de petróleo e gás importados do Golfo persiste para setores como aviação, plásticos e fertilizantes, mantendo vulnerabilidade econômica externa.

No ano passado, a Índia atingiu um marco na busca por independência energética ao anunciar que pode gerar mais da metade de sua eletricidade a partir de fontes renováveis. No entanto, levar essa energia até residências e empresas continua sendo um desafio crítico.

A guerra no Irã reduziu o fluxo de gás e petróleo importados, ampliando a pressão para ampliar a participação de renováveis. O país enfrenta uma rede antiga que não acompanha a expansão de geração, comprometendo o abastecimento a 1,4 bilhão de habitantes.

Até o fim do último ano, a Índia operava 55 parques solares, com uma capacidade de 40 gigawatts apenas de fazendas solares, suficientes para cerca de 80 milhões de domicílios rurais. Telhados com painéis também se proliferaram.

Apesar do crescimento, a energia solar e a eólica não se integra sob demanda. O armazenamento de excedentes e a transmissão eficiente ainda não acompanham o ritmo de instalação, gerando picos de demanda e quedas de fornecimento.

Apenas cerca de um quarto da energia gerada pelas novas fontes chega ao consumidor. Em comparação, a China consegue distribuir mais da metade de sua produção renovável, destacando o desafio logístico da Índia.

A volatilidade dos insumos e o preço do petróleo, em torno de US$ 120 por barril, elevam custos industriais e limitam o crescimento. Indústrias intensivas em energia demitem trabalhadores e reduzem a produção em setores como aço, cerâmica e têxteis.

Ex-diretor de um instituto de pesquisa estatal alerta que a transição, embora ambiciosa, é lenta diante de riscos ligados a guerras, transporte marítimo e impasses navais. A dependência externa continua a representar vulnerabilidade econômica.

Especialistas destacam que a Índia dependerá mais de petróleo importado para usos não elétricos, como aviação, plásticos e fertilizantes. Mesmo com veículos elétricos, as importações continuarão relevantes para o conjunto energético.

Para avançar, o país precisa de soluções de armazenamento eficientes e de redes de transmissão mais robustas. A participação de fabricantes chineses em componentes da rede é vista como fator crítico, mas eleva preocupações de segurança.

Sumant Sinha, CEO de uma gigante de energia limpa, sustenta que a energia deve ser não apenas abundante, mas disponível com timing estável. A busca pela confiabilidade volta a ser prioridade para reduzir dependência externa.

A indústria aponta ainda a necessidade de sincronizar produção, armazenamento e demanda, com investimentos capazes de sustentar o ritmo de expansão sem rupturas. O desafio permanece na construção de uma rede capaz de entregar energia sob demanda.

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