- Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Investimentos, diz que candidatos à Presidência precisam esclarecer a condução da política fiscal para reduzir a dívida pública; discurso ortodoxo ajuda o preço, enquanto o populista aumenta a pressão sobre a política monetária.
- O governo estima que a dívida bruta do governo chegue a 86% do PIB no próximo ano.
- O cenário é de turbulência e incertezas geopolíticas, com impactos na inflação e na trajetória da política monetária; o Brasil tem a Selic em patamar elevado.
- A projeção é de queda gradual da Selic, com 0,25 ponto percentual na próxima reunião e, depois, 0,50 ponto, mantendo a meta em torno de 13%.
- Na eleição, o mercado quer saber quem comporá a equipe econômica e quais serão as medidas fiscais; sem sinalização clara, pode haver maior pressão sobre as taxas de juros.
O CEO da SulAmérica Vida, Previdência e Investimentos, Marcelo Mello, afirmou que candidatos à Presidência precisarão esclarecer a condução da política fiscal para reduzir a dívida pública. A declaração foi dada durante o videocast semanal C-Level da Folha.
Mello disse que, se o discurso for ortodoxo e sinalizar medidas para um ponto de inflexão na trajetória fiscal, isso ajudará o desempenho das moedas. Em caso contrário, houve alerta para maior pressão sobre a política monetária, já impactada pela geopolitica.
O executivo destacou a necessidade de indicar nomes da futura equipe econômica, independentemente de quem vencer. Ele afirmou que o ajuste fiscal é inevitável, e a alternativa seria pior para o país e para os candidatos.
Contexto fiscal e cenário macro
Segundo o governo Lula, a dívida bruta do governo pode chegar a 86% do PIB no próximo ano. A SulAmérica Investimentos administra mais de R$ 85 bilhões e integra um grupo que atua no setor de seguros e investimentos.
Mello avaliou o momento de turbulência financeira, influenciado pela guerra entre EUA e Irã. Para ele, o cenário geopolítico aumenta a incerteza e pode recalibrar a política monetária global, com impactos sobre câmbio e inflação no Brasil.
Juros, Selic e atuação do Banco Central
A visão da SulAmérica é de Selic em 13% no médio prazo. Em reunião de abril, a instituição espera redução de 0,25 ponto percentual, seguindo com 0,50 mais adiante, conforme arrefecimento da conjuntura externa.
Ainda segundo o executivo, o mercado precisa ouvir como será a condução da política fiscal no próximo governo. Uma sinalização ortodoxa pode manter o equilíbrio, enquanto discurso populista pode ampliar a pressão monetária.
Regulação e fundos de investimento
Mello comentou a atuação da CVM e a transparência dos ativos. Destacou avanços da resolução CVM 175, que aumentou a transparência nos fundos, mas apontou necessidade de evolução em ativos ilíquidos e em sua avaliação.
Sobre ocorrências recentes envolvendo fundos de participações, ele disse que o peso maior fica nesses ativos ilíquidos e que a regularização depende de padrões de avaliação, periodicidade de atualização e backtests.
Previdência, IOF e perspectivas
O executivo criticou a cobrança de IOF para aportes em planos de previdência, destacando impacto sobre aportes esporádicos acima de R$ 600 mil anuais. Ele avaliou que a indústria pode não se desenvolver nesse cenário enquanto a medida não for ajustada.
Ao concluir, Marcelo Mello reforçou que o ajuste fiscal é essencial para um patamar de juros sustentável no longo prazo e que o Congresso tem papel relevante na política econômica.
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