- O dólar perdeu o apelo de porto seguro após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, com o Bloomberg Dollar Spot Index caindo até 0,6% e atingindo o menor nível desde 27 de fevereiro.
- Investidores passaram a buscar ativos de maior risco, com moedas sensíveis ao risco liderando ganhos e o S&P 500 renovando máximas históricas nesta semana.
- Analistas de bancos indicam que chegou a hora de apostar contra o dólar, elevando proteções cambiais a níveis de dois anos e mostrando confiança menor no dólar nas apostas de opções.
- Alguns especialistas alertam que ainda é cedo para ver o dólar enfraquecido de forma sustentável; há dúvidas sobre a independência do Federal Reserve e sobre impactos de cortes de juros em outros países.
- Dados da State Street mostram alta nas taxas de proteção ao dólar, em 63%, enquanto gestores passam a considerar diversificação para ativos internacionais diante da redução de riscos cambiais.
O dólar perde o apelo de porto seguro após o anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que leva investidores a buscar ativos de maior risco. O recuo ocorre mesmo com a guerra ainda recente, e o dólar encerra a valorização iniciada com o conflito.
Bancos grandes sinalizam a mudança de cenário. Deutsche Bank e Wells Fargo destacam que a elevada demanda por proteção cambial tende a diminuir, à medida que o Estreito de Ormuz fica aberto ao tráfego comercial durante o cessar-fogo.
O Bloomberg Dollar Spot Index caiu até 0,6%, atingindo o menor patamar desde 27 de fevereiro. Desde 7 de abril, o índice acumula queda de cerca de 1,9% com o acordo de trégua.
Mercados considerados mais arriscados acompanharam a recuperação de ações, enquanto moedas sensíveis ao risco, como as escandinavas, a Nova Zelândia e a Austrália, ganharam terreno frente ao dólar. O S&P 500 alcançou novas máximas.
Analistas apontam que a hora é de apostar contra o dólar, com proteção cambial em níveis altos. Operadores elevaram a proteção de moedas a máximos de dois anos, e a percepção no mercado de opções deteriorou a confiança na moeda americana.
A desaceleração do apelo de refúgio ocorre em meio a novas dúvidas sobre a trajetória de juros nos EUA, com perspectivas de cortes pelo Federal Reserve podem influenciar o câmbio.
O Estreito em foco
O Irã afirmou que o Estreito de Ormuz está “completamente aberto” para navios comerciais enquanto perdura o cessar-fogo. O anúncio gerou recuo nos preços do petróleo e reforçou o otimismo de investidores em ativos de maior risco.
Por outro lado, analistas do Citigroup destacam que ainda é cedo para confirmar fraqueza duradoura do dólar. Observam que a relação risco-retorno pode favorecer o dólar caso haja volatilidade nas condições globais.
Outros analistas também ressaltam que fatores como o custo da guerra e esperanças de cortes de juros pelo Fed podem manter o dólar sob pressão, mas não de forma uniforme em diferentes moedas.
Gestores de ativos acompanham a evolução da relação entre política monetária e geopolítica. Relatórios indicam aumento de apostas contra o dólar nas primeiras semanas de abril, associadas ao início do cessar-fogo.
Fontes: bancos e estrategistas consultados, com avaliação de proteção cambial e movimentação de derivativos. As projeções variam conforme o desenvolvimento das negociações entre as partes.
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