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Estudo de casas de apostas aponta que apostas não são fatores de dívidas

Estudo do IBJR aponta que apostas correspondem a 0,46% do consumo e não são principal fator do endividamento, refutando discurso governamental

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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  • Estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável aponta que gastos com apostas correspondem a 0,46% do consumo das famílias em 2025; o consumo total foi de R$ 8,1 trilhões e o gasto com apostas ficou em R$ 37 bilhões, semelhante ao gasto com bebidas (R$ 40,5 bilhões).
  • O IBJR é formado por grandes empresas do setor, como Betano, Betfair e Bet Nacional.
  • O governo discute projeto da bancada do PT para proibir as bets em todo o país, o que revoga trechos do marco legal das apostas esportivas e pode inviabilizar plataformas. Lula já criticou o modelo, dizendo que as bets “assaltam” o orçamento da população.
  • Procon de São Paulo aponta que quatro em cada dez apostadores se endividaram por causa das bets; o perfil típico é homem até 44 anos, com renda de até dois salários mínimos e gasto mensal acima de R$ 1.000,00.
  • Estudos da FIA Business School em parceria com o Ibevar sugerem que as apostas online têm peso maior no endividamento familiar do que juros ou crédito; 39,5 milhões usaram serviços de apostas no último ano, 19% comprometeram a renda e 17% deixaram de pagar contas básicas.

Um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável aponta que as apostas online teriam impacto baixo na renda familiar. Segundo o levantamento, gastos com bets correspondem a 0,46% do consumo, não sendo principal motor do endividamento.

O IBJR reúne grandes operadoras do setor, como Betano, Betfair e Bet Nacional. A pesquisa analisa dados da Secretaria de Prêmios e Apostas combinados com o IBGE para 2025.

Em 15 de abril, a bancada do PT na Câmara protocolou um projeto para proibir as bets em todo o país, visando revogar trechos do marco regulatório e inviabilizar operações e transações.

Lula criticou o modelo de negócios, afirmando que as bets “assaltam” o orçamento da população, que já enfrenta pressões de consumo e endividamento.

Contexto de consumo e endividamento

O estudo da LCA aponta consumo total de 8,1 trilhões de reais em 2025, com gastos em bets estimados em 37 bilhões. O valor é próximo do gasto com bebidas alcoólicas, registrado em 40,5 bilhões.

A pesquisa não detalha faixas de renda, o que dificulta identificar a concentração dos gastos entre níveis de renda com maior risco de endividamento.

Dados de outros levantamentos

Levantamento do Procon de São Paulo, entre 2025 e início de 2026, mostra que quatro em cada dez apostadores se endividaram por uso de bets. O perfil observado é majoritariamente masculino, com renda baixa, e apostas acima de 1 mil reais mensais.

Entre os endividados, há maior participação de mulheres até 30 anos com renda de até dois salários mínimos, representando quase metade do grupo analisado.

Estudos adicionais

Pesquisa da FIA Business School com Ibevar, referente a 2011 a 2025, aponta que o peso das apostas no endividamento cresce mais rapidamente que juros ou crédito. O coeficiente das bets é maior, sugerindo efeito relevante sobre a renda familiar.

Estima-se que 39,5 milhões de brasileiros tenham utilizado serviços de apostas no último ano, com 19% afirmando ter comprometido a renda e 17% deixando de pagar contas básicas para jogar.

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