- Uma nova frente do crime organizado usa furto de energia para abastecer centrais de computadores dedicadas à mineração de criptomoedas, em São Sebastião, Distrito Federal.
- A operação resultou em perdas de quase 8 milhões de reais, com oito centrais de computadores instaladas na zona rural conectadas à iluminação pública irregular.
- Cada unidade construída custou cerca de 1,5 milhão de reais, segundo a Neoenergia, indicando um investimento de alto grau técnico.
- Foram apreendidos 654 equipamentos, com a Polícia Civil e a fiscalização identificando possível associação entre técnicos e quadrilhas, além de indícios de ocultação de valores em criptomoedas.
- Em operações recentes, outros golpes semelhantes foram registrados em Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Alagoas, e há suspeitas de contrabando de equipamentos pelo Paraguai para baratear o custo de aquisição.
No início do ano, moradores de São Sebastião, região administrativa do Distrito Federal com cerca de 170 mil habitantes, perceberam um aumento anormal no consumo de energia. A Neoenergia identificou o desvio e acionou a polícia, revelando ligações clandestinas em área rural da região.
A operação apreendeu oito centrais de computadores capazes de minerar criptomoedas, usando a energia para sustentar o processo de validação de transações. As apurações apontam prejuízos de quase 8 milhões de reais para as concessionárias. Uma das frentes envolveu uma célula mantida em mata fechada, com apoio de helicóptero da Polícia Civil.
Os investigadores seguem apurando a organização envolvida, com informações de que, em 7 de abril, duas novas centrais do mesmo grupo foram identificadas. Segundo a Neoenergia, cada unidade exigiu investimentos estimados em 1,5 milhão de reais, evidenciando planejamento técnico e financeiro.
Contexto: mineração de criptomoedas como crime
Especialistas consultados afirmam que a prática, chamada de “criptogato”, tem se destacado como nova frente criminal no Brasil, em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Alagoas. O golpe consiste em subtrair energia para sustentar grandes infraestruturas de hardware, que geram criptomoedas após validação de transações.
Os equipamentos usados demandam alta capacidade de processamento e resfriamento constante, o que explica o consumo de energia elevado. Analistas destacam que apenas dispositivos específicos, como ASICs, permitem esse tipo de mineração com eficiência.
Impacto econômico e logística do crime
A tarifa de energia no Brasil, entre as mais altas do mundo, torna o negócio viável apenas com grandes volumes de energia. No caso de São Sebastião, uma estimativa aponta receita mensal de 400 mil reais, caso o consumo fosse convertido integralmente em ganho financeiro. No entanto, o custo de energia reduz significativamente a lucratividade.
A aquisição dos equipamentos ocorre principalmente no mercado paralelo ou por contrabando, segundo informações da polícia. Recentemente, 13 dispositivos foram apreendidos na Via Dutra, com destino a Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Desdobramentos e investigações em curso
As autoridades estudam a possibilidade de associação entre técnicos de montagem dos dispositivos e quadrilhas que financiam e protegem as operações. Em Rio de Janeiro, uma mineradora foi localizada em uma residência na Ilha do Governador. Em Sorocaba, interior de São Paulo, houve conflito que resultou na morte de um sócio envolvido no esquema.
Caso comprovado, a conduta pode caracterizar furto de energia, com pena de até quatro anos de reclusão. A polícia também busca evidências de associação criminosa e ocultação de valores, já que operações costumam envolver criptomoedas para lavar recursos obtidos em atividades ilícitas.
Situação atual em São Sebastião
Na localidade, dois suspeitos foram detidos durante a operação e liberados na audiência de custódia. A investigação continua para identificar os responsáveis pela estrutura, incluindo eventuais líderes da organização. As apurações seguem para mapear a extensão da rede e o financiamento das atividades criminosas.
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