- O FMI afirma que a guerra no Oriente Médio terá efeito desigual na América Latina e no Caribe, mas a inflação deve subir em todos os países da região.
- Países produtores de petróleo, como o Brasil, se beneficiam com os preços mais altos de energia, enquanto os mais vulneráveis enfrentam custos maiores de energia e alimentos.
- A projeção de crescimento da região é de 2,3% neste ano, 0,1 ponto acima da leitura de janeiro, e 2,7% em 2027; o Brasil deve crescer 1,9% neste ano e 2,0% em 2027, enquanto a Bolívia tende à recessão.
- A inflação deve recuar ao longo dos anos, estimando-se 6,7% em este ano e 4,9% em 2027, ainda que o choque geopolitico mantenha pressões de preços.
- O FMI recomenda manter credibilidade das políticas monetárias e fiscais, evitar subsídios amplos e usar redes de proteção sociais de forma focalizada, devido ao espaço fiscal restrito e ao endividamento elevado.
A guerra no Oriente Médio deve ter efeito desigual na América Latina e no Caribe, mas a inflação deve subir em todos os países da região, segundo o FMI em relatório divulgado nesta sexta-feira. O documento aponta que produtores de petróleo, como o Brasil, se beneficiam temporariamente dos preços elevados de energia, enquanto alguns países enfrentam pressões maiores em alimentos e energia.
O FMI sinaliza que o impacto na atividade econômica varia entre os países, mas a inflação deve ser mais uniforme. A instituição manteve a projeção de alta para a inflação regional, com esforços de políticas monetárias e fiscais para atravessar o choque sem perder credibilidade. O relatório foi apresentado durante as Reuniões de Primavera em Washington.
A previsão de PIB para a América Latina e o Caribe é de crescimento de 2,3% neste ano, e 2,7% em 2027. Entre os destaques de crescimento, aparecem Paraguai, Argentina, Equador, Chile e Colômbia. O Brasil é estimado em 1,9% neste ano e 2,0% em 2027, enquanto a Bolívia deve sofrer recessão por mais um ano.
Para o FMI, produtores de petróleo da região, como Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago, EUA e Venezuela, se beneficiam dos preços de energia elevados, o que fortalece balanços externos e finanças públicas. Mesmo assim, os mais vulneráveis enfrentam alta de energia e alimentos.
Desdobramentos macroeconômicos e financiamento
A inflação na região deve desacelerar para 6,7% neste ano, caindo de 7,6% em 2025, com melhoria adicional prevista para 2027, em torno de 4,9%. O FMI aponta que a atividade começou 2026 em base sólida, com exportações em ritmo acelerado apesar de incertezas políticas.
Caribenhos dependentes do turismo, com dívida elevada e importações de energia, são apontados como os mais sensíveis ao choque. A América Central também apresenta exposição a preços altos de energia e limitações orçamentárias para mitigação.
Países com déficits em conta corrente e dependência de financiamento externo devem encarar custos de financiamento maiores e menor acesso a mercados, à medida que a guerra reduz o apetite por risco global. A recomendação é manter credibilidade fiscal e evitar subsídios amplos.
Medidas recomendadas pelo FMI
Autoridades fiscais devem privilegiar redes de proteção focalizadas, usando o espaço fiscal de forma estratégica para famílias vulneráveis, agricultores e empresas. O FMI destaca que, devido aos altos níveis de dívida, há espaço limitado para ampliar déficits fiscais na região.
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