- O pão francês pode ficar mais caro para o consumidor brasileiro em abril, por pressões de custos na cadeia produtiva causadas pela guerra no Oriente Médio, que elevou o petróleo e o frete.
- A alta impacta indiretamente o Brasil, elevando o diesel, o frete e a farinha de trigo, o que pode abrir caminho para reajustes no preço final.
- A Abip diz que, apesar do Brasil não depender diretamente da região para trigo, o custo dos insumos tende a subir e as padarias buscam reduzir repasses com eficiência e diversificação de fornecedores.
- A Abitrigo aponta subida rápida de custos, com moagem de trigo pressionada por diesel, fretes e cotações do grão, o que pode levar ao repasse de custos para panificadoras e produtores de massas e bolos.
- Especialistas destacam que o Brasil importa mais da metade do trigo consumido, tornando o preço sensível ao mercado internacional e aos custos de transporte, e sugerem estratégias como eficiência energética e mercado livre de energia para mitigar impactos.
O pão francês deve apresentar queda de demanda no bolso do consumidor brasileiro em abril, sinalizando alta de custos na cadeia produtiva. O aumento é atribuído à pressão de custos provocada pela guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo e, consequentemente, o frete e a farinha de trigo. O efeito é indireto no Brasil, refletindo-se no diesel e na logística.
A Guerra no Oriente Médio elevou o preço da energia e dificultou o transporte global. O bloqueio e a instabilidade no Estreito de Ormuz impactam o abastecimento de petróleo, ampliando custos de energia e fretes em diversas fases da produção de panificação.
Para a Abip, a associação que reúne padarias e confeitarias, o Brasil não depende diretamente do trigo da região, mas os efeitos indiretos já são perceptíveis. A elevação do petróleo pressiona a farinha e demais insumos, ampliando a necessidade de ajustes na cadeia.
A Abitrigo, dedicada à indústria do trigo, avalia que a alta é rápida e sustenta pressão sobre a moagem. O presidente-executivo aponta que, por causa da volatilidade global, manter o pão na mesa pode exigir repasses variados para panificadoras e fornecedores, ainda que algumas empresas busquem reduzir impactos.
Na prática, a oscilação atinge toda a cadeia produtiva: o Brasil importa mais da metade do trigo consumido, o que deixa o preço do pão sensível ao mercado internacional e ao custo de transporte. Além disso, padarias registram elevação de energia, embalagens e operação, elevando o preço final.
Segundo o especialista em energia Alan Henn, o aumento do petróleo eleva o custo de transporte e de geração de energia, refletindo na moagem do trigo e no funcionamento de fornos, refrigeração e iluminação das padarias. A inflação no setor está associada a variáveis internacionais.
Medidas de mitigação e cenários
Henn aponta que, mesmo com o fim de tensões no Irã, a pressão não desaparece de imediato. O Brasil pode reduzir a exposição a oscilações externas por meio de portabilidade para o mercado livre de energia, o que traz maior previsibilidade de custos.
Ele ressalta ainda a importância de investir em eficiência energética e em fontes renováveis. Essas medidas ajudam empresas de alimentos a diminuir a dependência de variações globais, oferecendo maior controle sobre contratos e custos.
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