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Inflação deve subir na América Latina, com impacto desigual segundo FMI

FMI aponta inflação em toda a região, com impacto desigual da guerra; recomenda manter credibilidade de políticas para atravessar o choque

Produtores de petróleo, como o Brasil, estão se beneficiando dos altos preços da energia, diz o FMI
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  • FMI aponta que a guerra no Oriente Médio terá impacto desigual na América Latina e no Caribe, mas a inflação deve subir em todos os países da região.
  • Produtores de petróleo, como o Brasil, se beneficiam dos preços elevados da energia, mesmo diante de impactos setoriais variados.
  • Projeções: inflação regional em 6,7% neste ano, 7,6% em 2025 e 4,9% em 2027; PIB da região deve crescer 2,3% em 2026 e 2,7% em 2027.
  • Recomenda manter credibilidade das políticas monetárias e fiscais, evitar subsídios amplos e usar o espaço fiscal de forma focalizada para famílias vulneráveis e setores estratégicos.
  • Países com déficits em conta corrente e dependência de financiamento externo devem enfrentar custos de financiamento mais altos, com impactos desiguais, inclusive para exportadores de energia.

O FMI estima que a guerra no Oriente Médio trará impactos assimétricos para a América Latina e o Caribe, mas que a inflação deve subir em todos os países da região. Produtores de petróleo, entre eles o Brasil, podem se beneficiar parcialmente pelos preços elevados de energia. O organismo destaca a necessidade de manter credibilidade de políticas para atravessar o choque.

A instituição aponta mudanças nos fluxos de capitais e maior aversão ao risco por parte de investidores como fatores que devem influenciar as economias da região. A recomendação é preservar disciplina monetária e fiscal para reduzir vulnerabilidades frente ao novo choque externo.

Segundo o FMI, a inflação deve subir de forma generalizada, ainda que o efeito sobre o crescimento varie entre os países. A estimativa para a inflação regional permanece elevada, ainda que haja perspectiva de desaceleração gradual nos próximos anos.

Panorama de crescimento e inflação

O FMI revisou para cima a projeção de PIB da América Latina e do Caribe para 2,3% em 2026, com expectativa de 2,7% em 2027. Entre os destaques de expansão estão Paraguai, Argentina, Equador, Chile e Colômbia. O Brasil é visto avançando 1,9% neste ano e 2,0% em 2027.

A Bolívia aparece como exceção, com previsão de recessão no próximo período. O organismo ressalta que, mesmo em países produtores de petróleo, custos de energia e alimentos podem atingir parcelas vulneráveis da população. O choque também eleva o custo de financiamento para economias com déficits de conta corrente.

Impactos setoriais e condições financeiras

Os produtores de petróleo na região, incluindo Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos e Venezuela, devem sentir impacto positivo de altos preços de energia. Esse efeito melhora balanços de pagamentos e apoia o crescimento, mas não elimina vulnerabilidades.

O FMI alerta que países com espaço fiscal restrito e dependência de financiamento global enfrentarão custos maiores de financiamento e menor acesso a mercados. Os impactos serão mais acentuados para economias com dívida elevada e déficits em conta corrente.

Recomendações de política

Diante do cenário, o FMI recomenda manter credibilidade de políticas monetárias e fiscais. As autoridades devem evitar subsídios amplos e usar o espaço fiscal de forma estratégica, protegendo famílias vulneráveis, agricultores e empresas. Mesmo com amortecimento esperado da inflação, a região tem pouco espaço para aumentar déficits.

A instituição reforça que o choque pode colocar pressão sobre câmbio, juros e saldos externos. A gestão macroeconômica responsável é apontada como fator-chave para atravessar o novo choque sem deterioração fiscal acelerada.

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