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Preço do biodiesel cai abaixo do diesel comum pela primeira vez

Preço do biodiesel cai abaixo do diesel pela primeira vez, acelerando a corrida por biocombustíveis e a pressão por mandatos de mistura globais

Um trabalhador carrega cachos frescos de frutos de dendê da plantação de óleo de palma da cooperativa Melati Hanjalipan na vila de Hanjalipan, Kotawaringin Oriental, província de Kalimantan Central, Indonésia, em 22 de julho de 2025
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  • Os preços do biodiesel ficaram abaixo do diesel comum pela primeira vez, impulsionando compradores na Ásia.
  • Fornecedores asiáticos intensificaram consultas para garantir óleo vegetal hidrotratado como substituto do diesel, com demanda voltada principalmente para a Austrália.
  • Os preços de óleos vegetais subiram 5% em março, atingindo o maior nível desde junho de 2022, enquanto o desconto do biodiesel europeu em relação ao diesel se consolidou.
  • Indonésia e Malásia anunciaram aumentos nos mandatos de mistura de biocombustíveis, com metas de até 50% a partir de julho na Indonésia e de 15% na Malásia.
  • Persistem incertezas sobre a permanência da mudança, devido a custos e oferta limitados, além de o combustível sustentável de aviação continuar relativamente caro.

A crise do petróleo, acelerada pela guerra no Irã e pelo fechamento quase total do Estreito de Hormuz, provocou uma corrida por substitutos. Fornecedores na Ásia buscam cada vez mais biocombustíveis, já que o biodiesel começou a ficar mais barato que o diesel fóssil pela primeira vez.

Dados da Argus Media mostram que os preços de referência do biodiesel na Europa passaram a ter desconto frente ao diesel no fim de março, enquanto os futuros do óleo de palma na Ásia caíram abaixo do diesel no início de abril. Parte da demanda vem de grandes petroleiras buscando garantias de suprimento.

Demanda asiática e mercado de óleos vegetais

Pessoas ligadas ao setor relatam que fornecedores asiáticos consultam cada vez mais sobre óleo vegetal hidrotratado como substituto do diesel, com grande parte destinada à Austrália, onde a oferta é mais restrita.

Matti Lievonen, da EcoCeres, afirma que a demanda é impulsionada por petroleiras, mas também por transformações de fundamentos. Os biocombustíveis passam a ter custos mais competitivos e começam a ser vistos como opção viável sem vinculação ao Oriente Médio.

Preços elevados do petróleo e impactos de política

A volatilidade do petróleo, intensificada pelo Irã, elevou os preços de combustíveis fósseis, mantendo-se altos mesmo após cessar-fogo provisório. Em contrapartida, renováveis mantêm tendência estável devido a seus fundamentos distintos.

A especialista Giulia Squadrin, da Argus, aponta que políticas públicas e oferta de matérias-primas influenciam a evolução dos preços dos biocombustíveis, criando condições de competitividade frente ao petróleo.

Metas de mistura e cenários regulatórios

A Indonésia, maior produtora mundial de óleo de palma, elevou a meta de mistura de biocombustíveis para 50% a partir de julho, frente aos 40% atuais. A Malásia projeta aumentar de 10% para 15%. Países seguem avaliando reajustes e impactos econômicos.

Lievonen comenta que muitos governos adotam postura de monitoramento, mas o aumento dos preços do petróleo pode acelerar o interesse pela segurança energética associada aos renováveis.

Papel europeu e impactos no custo

A Comissão Europeia recomendou que Estados-membros se preparem para interrupções prolongadas ligadas ao Oriente Médio, ao mesmo tempo em que incentiva o maior uso de biocombustíveis para reduzir a pressão sobre os mercados.

Contudo, o custo continua a impor barreiras. O HVO de referência na Europa negocia-se próximo do dobro do preço do combustível fóssil, ainda que com prêmio menor do que antes.

Perspectivas de demanda e alimentação

A Agência Internacional de Energia estima que o consumo de biocombustíveis deverá mais que dobrar até 2030, atingindo 6 milhões de barris por dia de equivalente em petróleo. Mesmo assim, isso representaria apenas cerca de 6% da oferta global atual.

A substituição mais ampla pode afetar a oferta global de alimentos, já que várias matérias-primas são utilizadas na produção de óleos vegetais, elevando o risco de alta de preços de alimentos.

Mercados de consumo e aviação

O índice de preços de óleos vegetais da FAO subiu 5% em março, atingindo o maior nível desde junho de 2022. Na aviação, o combustível sustentável continua mais caro que o querosene, com diferença ainda em torno de 60%.

Especialistas destacam que a oferta de SAF é limitada, o que compromete o uso como alternativa de curto prazo para companhias aéreas, mantendo o custo elevado.

Incertezas sobre a sustentabilidade de longo prazo

Especialistas ponderam que, apesar da recente mudança, não está claro se o movimento de preços vai perdurar. Investidores precisam de sinais de que a mudança é estrutural para ampliar investimentos.

Analistas ressaltam que decisões políticas, custos relativos e disponibilidade da matéria-prima continuarão a ditar o ritmo da transição para biocombustíveis em vários mercados.

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