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Reabertura do Estreito de Ormuz e queda do petróleo podem impactar o Brasil

Queda de aproximadamente dez por cento no Brent, com a reabertura do Estreito de Ormuz, pode reduzir o preço do diesel e de combustíveis no Brasil e influenciar o dólar

Frentista colocando gasolina em carro
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  • O petróleo Brent caiu cerca de 10% e chegou a US$ 89,43 o barril nesta sexta-feira (17/04) após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo com os Estados Unidos.
  • O Estreito de Ormuz, que concentra passagem de cerca de 20% do petróleo e do GNL do mundo, foi declarado aberto pelo governo iraniano para o restante do cessar-fogo.
  • No Brasil, a queda mundial do petróleo pode reduzir custos de abastecimento, ajudando o mercado de combustíveis, mesmo com pacote estadual de apoio ainda em implementação.
  • O governo já havia anunciado, em março, R$ 30 bilhões para mitigar o encarecimento do diesel, incluindo desconto de litro e subvenção; em abril, o subsídio foi ampliado para até 1,12 real por litro produzido ou importado.
  • Economistas do BTG Pactual destacam que o Brasil migrou de importador líquido para exportador líquido de petróleo, o que pode melhorar a balança comercial e a conta corrente, conforme o preço do Brent permaneça em patamar elevado.

O petróleo recuou acentuadamente nesta sexta-feira (17/04) após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo com os Estados Unidos. O Brent caiu cerca de 10%, para US$ 89,43 o barril, ainda acima do nível pré-crise, em US$ 70.

O Estreito de Ormuz é a passagem de cerca de 20% do petróleo e do GNL mundial. O canal chegou a ficar fechado por semanas após ataques ocorridos em fevereiro, em contexto de tensões entre Irã, EUA e aliados. Nesta manhã, o Irã declarou que o tráfego seria “completamente aberto” pelo restante do cessar-fogo, conforme comunicado divulgado pelo ministro Abbas Araghchi.

No Brasil, a queda global do petróleo pode favorecer o abastecimento e reduzir pressões sobre combustíveis. O governo federal já havia anunciado em março um pacote para mitigar custos do diesel e do querosene de aviação. Medidas incluem subsídios, desoneração de impostos e crédito para o setor de transporte.

Impacto no Brasil

O diesel é o principal combustível para transporte de mercadorias e para a safra agrícola, o que mantém o foco do governo em conter altas. O pacote anterior prevêia desconto de R$ 0,64 por litro, combinando redução tributária e subvenção de R$ 0,32 por litro.

A gestão Lula ampliou o subsídio em abril, chegando a R$ 1,12 por litro para produção local ou importação. Além disso, houve isenção de PIS e Cofins sobre o QAV, com economia de R$ 0,07 por litro, e duas linhas de crédito de R$ 9 bilhões. As políticas contaram com adesão inicial de grandes players, como Ipiranga e Raízen, que inicialmente não aderiram.

Ainda assim, a queda do preço pode demorar para chegar às bombas, conforme o ritmo de repasse do mercado. A Vibra (ex-BR Distribuidora) também modificou a posição, passando a participar do programa em 9 de abril, após decisão interna.

Cenário externo e perspectivas

Segundo análise do BTG Pactual, nos últimos 10 anos o Brasil passou de importador líquido para exportador líquido de petróleo. Em 2000, alta do Brent agravava a balança, mas hoje tende a melhorar as contas externas, com ganhos em transações correntes e na balança comercial.

O banco aponta que, se o Brent ficar perto de US$ 100 até o fim de 2025, o saldo da balança comercial brasileiro pode ficar em torno de US$ 93 bilhões. Caso o petróleo recue a US$ 70, o saldo poderia ficar próximo de US$ 80 bilhões em 2026 e US$ 85 bilhões em 2027.

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