- O governo vê espaço para ampliar a dívida atrelada ao câmbio após a expansão planejada para este ano, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal.
- A participação dessa dívida hoje é de 4% do total e pode superar 7% no Plano Anual de Financiamento deste ano.
- Nesta semana o Brasil vendeu 5 bilhões de euros em títulos, a maior operação já no mercado global e a primeira emissão em euros em mais de dez anos.
- Há avaliação de emitir panda bonds no mercado chinês, mas o Tesouro não descarta uma janela em dólar caso surja primeiro; a emissão em euros é enxergada como parte de uma estratégia estrutural.
- A confiança dos investidores cresce com inflação relativamente baixa, crescimento econômico e arcabouço fiscal; as reservas internacionais somam US$ 368 bilhões e ajudam a enfrentar choques cambiais.
O Tesouro Nacional vê espaço para ampliar a participação da dívida atrelada ao câmbio, mesmo após a expansão prevista para este ano. O secretário Daniel Leal disse que os fundamentos econômicos do país e o tamanho das reservas internacionais diminuíram vulnerabilidades anteriores a essa estratégia, durante entrevista à margem de reuniões do FMI e do Banco Mundial, em Washington.
Ele ressaltou que a dívida indexada ao câmbio representa hoje 4% do total, considerado muito pequeno, e pode superar a meta de 7% no Plano Anual de Financiamento deste ano. A afirmação ocorreu num contexto de diversificação de mercados adotado pelo Tesouro.
Nesta semana, o Brasil realizou a maior emissão global da história em euros, com 5 bilhões de euros vendidos, a primeira emissão em euros em mais de dez anos. O movimento integra a estratégia de diversificação e abertura a novos formatos de captação.
Contexto e perspectivas
Autoridades avaliam até mesmo os panda bonds, títulos emitidos no mercado chinês, como parte do mix. No entanto, Leal afirmou que não há sinal de afastamento dos EUA, pois a janela em dólar permanece relevante caso apareça.
A percepção de melhora da economia doméstica sustenta a demanda por dívida atrelada ao câmbio. Dados citados pelo secretário incluem inflação relativamente baixa, crescimento e um arcabouço fiscal que ganhou credibilidade com o objetivo de estabilizar a dívida até 2030.
Operação recente e objetivos
O estoque de reservas de US$ 368 bilhões funciona como colchão contra choques cambiais. Custos de captação externa seguem baixos, permitindo alongar prazos. A emissão em euros foi apresentada como parte de uma estratégia estrutural, não oportunista, segundo Leal.
Ele destacou que o Tesouro preparou a operação com antecedência e observou forte interesse de investidores durante apresentações a potenciais compradores. Os investidores teriam entendido a mensagem sobre a confiança no Brasil.
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