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Triangulação ilícita coloca BRB no centro do escândalo

Prisão do ex-presidente do BRB expõe esquema de carteiras fraudulentas do Master, com propina milionária e ocultação de patrimônio

Mendonça: "A organização criminosa demonstra altíssima capacidade de reorganização" - (crédito: Victor Piemonte/STF)
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  • Prisão do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, na Operação Compliance Zero, envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o advogado Daniel Lopes Monteiro, conforme a PF.
  • STF determinou a detenção e apontou uma triangulação entre Costa, Vorcaro e Monteiro, com a venda de carteiras de crédito sem lastro do Master para o BRB como núcleo do esquema.
  • A operação descreve uma “linha de produção” de créditos fraudulentos, uso de planilhas, documentos antedatados e procurações de agentes do BRB para mascarar as fraudes, com o BRB adquirindo cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas desde 2024.
  • Propina estimada em R$ 146,5 milhões, convertidos em seis imóveis de luxo em São Paulo e Brasília, pagos a Costa em troca de facilitação da operação.
  • Monteiro atuava na linha jurídica e de estruturação, criando empresas de fachada e blindando documentos; há risco de continuidade do esquema caso os investigados permaneçam em liberdade, com base em mensagens, escrituras e relatórios internos.

A investigação da Polícia Federal, em conjunto com a Procuradoria-Geral da República, aponta ligação direta entre o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o advogado dele, Daniel Lopes Monteiro. O trio é apontado como responsável por um esquema de fraudes envolvendo carteiras de crédito simuladas.

A prisão de Costa ocorreu quinta-feira, durante a Operação Compliance Zero. A decisão do ministro André Mendonça, do STF, descreve uma triangulação entre Costa, Vorcaro e Monteiro para viabilizar a aquisição de ativos do Master sem lastro real.

Segundo as apurações, a principal ferramenta foi a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito artificiais para o BRB. A PF aponta uso de empresas como a Tirreno para originar créditos consignados falsos e mascarar a falha do modelo de negócios do Master.

Costa teria papel decisivo na operacionalização da compra do Master, em troca de propina. A decisão federal acrescenta que houve flexibilização de regras internas, alterações contratuais e desconsideração de pareceres contrários às operações.

Relatórios apontam que, mesmo após constatação de fraudes em 2025, o BRB continuou comprando carteiras do Master. Haveria desconsideração de pareceres jurídicos e alertas internos, segundo a decisão.

A PF detalha uma divisão de tarefas entre o braço público, o privado e o operador jurídico. Costa seria a peça essencial, pressionando pela liquidez do Master, mesmo com inconsistências identificadas desde 2024.

Em propina avaliada em cerca de R$ 146,5 milhões, Costa, Vorcaro e Monteiro teriam ocultado o patrimônio por meio de imóveis de luxo. Ao todo, seis imóveis em São Paulo e Brasília seriam parte do esquema, com pagamentos já efetuados.

Monteiro atuava na vertente jurídica, blindando as operações e estruturando sociedades de fachada para ocultar o verdadeiro beneficiário. Ele também coordenava a indicação de diretores das estruturas usadas para aquisição de imóveis.

A operação também envolve registros imobiliários, escrituras, comprovantes de transferências e mensagens interceptadas. As apurações indicam que a organização criminosa tem alta capacidade de reorganização e pode manter atividades mesmo com investigações em curso.

A decisão ressalta o risco de continuidade dos ilícitos caso os investigados permaneçam em liberdade, devido ao valor envolvido e ao potencial de danos ao sistema financeiro.

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