•Setenta e dois por cento dos brasileiros dizem ter dívidas financeiras, e 21% estão com parcelas em atraso.
•Entre quem pegou dinheiro de amigos ou familiares, 41% estão devendo.
•Dívidas em cartão de crédito parcelado (29%), empréstimos em banco (26%) e carnês de lojas (25%) aparecem como os principais gatilhos de inadimplência.
•Rotativo do cartão de crédito é usado por 27% dos entrevistados; 5% o fazem com alta frequência e 22% às vezes ou raramente, com juros médios de 14,9% ao mês.
•Ainda, 28% estão em atraso com contas de consumo; 64% cortaram lazer, 60% reduziram refeições fora de casa e 50% cortaram consumo de água, luz e gás.
Dois em cada três brasileiros afirmam ter dívidas financeiras, como empréstimos, aponta pesquisa Datafolha realizada entre 8 e 9 de abril. O estudo ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Entre os pesquisados, 21% disseram estar com dívidas em atraso. Quando o empréstimo é feito entre familiares e amigos, o porcentaje que está devendo sobe para 41%. Entre inadimplentes, 29% apontam cartão de crédito parcelado como causa, seguidos por empréstimos em banco (26%) e carnês de lojas (25%).
Dos entrevistados, 27% utilizam o crédito rotativo com frequências diversas. De todos, 5% o fazem com alta frequência, enquanto 22% utilizam às vezes ou raramente. O rotativo é, historicamente, a linha mais cara do mercado.
Dados do Banco Central indicam juros médios de 14,9% ao mês no rotativo, com limite anual de 100%. A norma vigente desde 2024 limita a dívida no cartão ao dobro do montante original. Esse cenário é apontado como fator de endividamento pelos especialistas.
Endividamento em contas de consumo e serviços
A pesquisa também mostra inadimplência em contas de consumo. No conjunto, 28% dos entrevistados indicaram atrasos nesse tipo de compromisso. Entre as contas mais citadas estão telefone/internet (12%), IPTU/IPVA/carnê-leão (12%), luz (11%) e água (9%).
Questionada sobre o aperto financeiro, a população foi classificada em níveis: 45% em situação severa ou apertada, 36% moderada e 19% isentos ou de menor gravidade. O estudo também aponta reduções de gasto como única saída: 64% cortaram lazer, 60% passaram a comer fora menos vezes, 60% buscaram marcas mais baratas e 52% reduziram a compra de alimentos.
Metade dos entrevistados também afirmou reduzir consumo de água, energia e gás. Ao mesmo tempo, 40% disseram ter deixado de pagar alguma conta e 38% admitiram atrasos em dívidas ou remédios.
Contexto político e financeiro
Questionados sobre problemas pessoais, a maioria destacou questões financeiras, incluindo falta de dinheiro e endividamento, observando também custo de vida e salário baixo. Entre os temas, 27% apontaram falta de dinheiro como principal problema atual.
Sobre uso de cartão, 57% dos brasileiros referem-se a essa forma de pagamento, com 13% parcelando supermercado e 4% contas de água e luz. O uso de crédito entre familiares também aparece na leitura dos dados, com parte relevante da população recorrendo a empréstimos informais.
O economista Isabela Tavares, da Tendências Consultoria, aponta aumento no uso do crédito nos últimos anos. Segundo ela, o aumento dos juros acompanhou a elevação dos preços de alimentos, levando a maior procura por crédito emergencial.
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