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Alta do petróleo impulsiona a valorização do real

Alta do petróleo explica valorização do real; estudo aponta forte correlação com balança de derivados e alerta para possível alta adicional do dólar se preços voltarem aos níveis pré-guerra

Samuel Pessôa
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  • A alta do petróleo é apontada como principal explicação para a valorização do real frente ao dólar.
  • Estudo mostra forte correlação entre moedas de emergentes e a balança de petróleo, derivados e fertilizantes, com correlação de cerca de 94% para uma amostra de países.
  • No período analisado, o índice do dólar (DXY) avançou 0,6% desde o início da guerra no Irã, e o real também se valorizou frente ao dólar.
  • Se os preços da matéria-prima voltarem aos níveis pré-guerra, é provável que haja alta adicional do dólar no Brasil.
  • A duração da elevação dos preços do petróleo depende da extensão da destruição de infraestrutura de produção, armazenamento, refino e transporte.

No ano passado, o dólar perdeu 10% frente uma cesta de moedas de países desenvolvidos, incluindo o real. O movimento inverteu o que costuma prever o livro-texto, que aponta alta da moeda americana diante de choques de política econômica. A leitura é de especialistas que acompanham o tema.

A avaliação aponta que a desvalorização do dólar ocorreu mesmo em cenário de política tarifária nos EUA. Em 2025, houve elevação de tarifas de exportação promovida por Donald Trump, o que elevou o preço de bens importados e gerou volatilidade no câmbio flutuante. O efeito esperado seria valorização do dólar para compensar o choque, mas não houve esse desdobramento.

Analistas destacam que o ambiente externo contribuiu para movimentos contrários aos fundamentos. A percepção de piora institucional nos EUA é citada por algumas instituições, o que ajudou a explicar parte da fraqueza do dólar. Em entrevista recente, o economista Ricardo Reis ressaltou que o privilégio das notas do Tesouro americano teria diminuído.

Enquanto o dólar apresentava queda geral, o real se valorizou frente à moeda norte-americana. O desempenho pode ter sido influenciado pela balança de petróleo e derivados do Brasil, que, mesmo com déficit de fertilizantes, manteve saldo positivo. A elevação do preço de commodities aparece como fator auxiliar na valorização brasileira.

Estudos da FGV Ibre e do BTG Pactual analisam a relação entre moedas de emergentes e a balança de petróleo, derivados e fertilizantes. Em amostra de países, a correlação entre valorização da moeda local e posição da balança nesses itens ficou em torno de 94%. O efeito tende a acompanhar oscilações de preços de commodities.

No campo internacional, a valorização do dólar frente ao conjunto de moedas do DXY — que inclui euro, iene, libra, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço — chegou a 0,6% desde o início da guerra no Irã. A leitura aponta ganhos de termos de troca para os EUA, que são exportadores de petróleo, diante de países importadores da matéria-prima.

Ao mesmo tempo, o Brasil mantém uma balança de petróleo e derivados mais favorável do que a dos EUA, o que reforça a demanda pela moeda local em cenários de volatilidade cambial. A leitura de especialistas ressalta que o cenário externo de preço de petróleo explica parte relevante dos movimentos recentes das moedas emergentes.

Para compreender o desfecho, vale acompanhar o desenrolar da guerra no Irã e a evolução dos preços de petróleo, bem como a destruição de infraestrutura de extração, armazenamento, refino e transporte. A continuidade ou reversão dos níveis atuais pode influenciar a direção cambial nos próximos meses.

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