- O ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou comprar o Banco Máxima, que deu origem ao Master, usando recursos que o BC classificou como origem duvidosa em fevereiro de 2019.
- O Banco Central apontou que parte do dinheiro para a aquisição das ações do Máxima e para aumentos de capital teria origem na Viking Participações, ligada à circulação de resultados entre empresas do mesmo grupo, em vez de entradas externas.
- A avaliação do BC indicou circularização de recursos, ou seja, dinheiro que apenas circula entre empresas ligadas, e não novas fontes de financiamento.
- As operações envolveram pagamento de trinta e seis milhões de reais em cotas do fundo Brazil Realty e quatro milhões de reais em dinheiro, além de aportes de Vorcaro em outros valores, com mudanças no plano de pagamento ao longo do processo.
- O episódio ocorreu quando o Máxima já enfrentava dificuldades financeiras e o BC avaliou que Vorcaro não apresentou provas claras da origem dos recursos usados na aquisição e nos aumentos de capital.
Daniel Vorcaro tentou comprar o Banco Máxima, instituição que originou o Master, usando um embrião de ciranda financeira conforme documentos do Banco Central. O BC chegou a propor veto em fevereiro de 2019, citando dificuldades em comprovar a origem de recursos.
Segundo os documentos, os recursos usados para a compra das ações de Saul Sabbá, então controlador do Máxima, somaram 40 milhões de reais. Aportes adicionais de Vorcaro, de 48,1 milhões e 22,5 milhões, teriam tido origem na Viking Participações.
O BC considera que houve circularização de recursos entre empresas ligadas, sem entrada de capital externo. Técnicos apontaram que parte dos valores veio de transferências entre a própria instituição, Vorcaro e fundos de investimento vinculados ao controlador.
A Viking Participações, relatada nos papéis, teve investimentos relevantes em 2016, incluindo participações em WWS e Superávit, com valorização de imóveis que levantaram questionamentos sobre a consistência contábil dos ativos.
O processo mostra mudanças na estrutura da operação: em 2017, a compra passou a envolver aporte de outros investidores, com percentuais — entre 1,75% e 10% — distribuídos entre vários participantes.
A avaliação de que o Máxima enfrentava dificuldades financeiras explica, em parte, a demora na aprovação. O BC avaliou que a origem dos recursos não estava claramente comprovada, conforme voto do diretor responsável.
Além disso, o histórico aponta que, de 2017 a 2019, o Plano de aquisição sofreu alterações de pagamento, incluindo transição de valores em dinheiro para cotas de fundos. O BC manteve o foco na regularidade das fontes de capital.
Ao longo do processo, Vorcaro não forneceu elementos que elucidassem a origem dos recursos de modo inequívoco, segundo o voto do BC. A defesa de Vorcaro não se manifestou quando solicitada.
O caso envolve investigações da Comissão de Valores Mobiliários sobre operações ligadas ao Brazil Realty, fundo de investimento imobiliário, com questões de avaliação de ativos e transparência nas operações do grupo Master, hoje sob escrutínio.
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