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Conflito global reacende temores de estagflação na economia mundial

Guerra no Oriente Médio eleva inflação e freia crescimento; PMIs de abril indicam deterioração global e bancos centrais sob pressão

Motoristas abastecem seus veículos em um posto da Total em Paris, França, na quinta-feira, 12 de março de 2026. A TotalEnergies elevou em 10 centavos de euro (US$ 0,12) o teto do preço do diesel em seus postos na França, à medida que o conflito no Oriente Médio aperta a oferta e impulsiona as cotações do petróleo. Fotógrafo: Nathan Laine/Bloomberg
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  • Os PMIs de abril devem trazer o impacto de sete semanas de guerra no Oriente Médio, com deterioração esperada na Alemanha, França, zona do euro e Reino Unido, enquanto os EUA devem ficar praticamente estáveis.
  • A pressão inflacionária aliada ao fraco crescimento reacende o risco de estagflação na leitura global.
  • O FMI alertou para cenários que podem levar a uma recessão global; a diretora-gerente, Kristalina Georgieva, disse que o impacto já está embutido e a recuperação levará tempo.
  • O Banco Central Europeu e o Federal Reserve devem usar os dados dos PMIs para definir políticas, com o presidente do BCE, Philip Lane, destacando a importância de um conjunto rico de informações.
  • Na sequência, saem dados de confiança empresarial na França, o índice Ifo na Alemanha e o índice de sentimento do consumidor dos EUA (Universidade de Michigan), em meio a incerteza elevada.

O impacto global acumulado de sete semanas de conflito no Oriente Médio começa a aparecer nas próximas leituras de atividade empresarial de abril. Dados preliminares de PMIs devem sinalizar como cresceram ou frearam probabilidades de inflação e de desaceleração.

As leituras de abril, cobrindo economias de Austrália aos Estados Unidos, serão divulgadas na próxima quinta-feira. Na visão das projeções da Bloomberg, Alemanha, França, zona do euro e Reino Unido devem apresentar deterioração maior, enquanto os indicadores dos EUA tendem a ficar estáveis.

O tema central é a possibilidade de a estagflação retornar, com inflação elevada em meio a crescimento fraco. O termo foi citado por Chris Williamson, da S&P Global, ao destacar riscos globais nas leituras de março.

As leituras vêm após uma semana de balanços em Washington, onde autoridades de Finanças foram alertadas pelo FMI sobre cenários que incluem próxima recessão global. Mesmo com o cessar-fogo, o dano ao crescimento e à inflação não é reversível rapidamente.

As autoridades ressaltam que a recuperação pode demorar, mesmo que o conflito termine amanhã. Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, afirma que o impacto já está embutido na atividade. O FMI avalia diferentes caminhos para o outlook global.

No caso do BCE, o staff técnico e o comitê valorizam os PMIs como parte da leitura para a decisão de juros prevista ainda neste mês. Philip Lane disse que o conjunto de dados oferece um retrato útil do cenário, com respostas de empresários em meio a incertezas.

Até lá, o BCE e o Fed acompanham indicadores de confiança. Na quinta-feira chega à França o índice de confiança empresarial, e na sexta chega o Ifo, da Alemanha. Nos EUA, o dado de sentimento do consumidor de Michigan tem divulgação prevista para o fim de semana.

Georgieva alerta que análises globais têm limites num ambiente de incerteza elevada. Ela reforça a necessidade de cautela na formulação de políticas diante da turbulência atual e de fatores geopolíticos ainda não resolvidos.

O que a Bloomberg Economics aponta é que, mesmo com indícios de acordo para encerrar hostilidades, a paz plena não é garantida. A visão é de que Israel não participa diretamente das negociações e que tensões sobem com interpretações divergentes sobre pontos como o Estreito de Hormuz.

Entre outras regiões, a inflação pode acelerar devido à guerra, com impactos em Canadá, Reino Unido e África do Sul. Anunciadas também estão decisões de política monetária de Turquia a Indonésia, que devem influenciar fluxos globais neste cenário.

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