- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o Desenrola 2.0 já está estruturado, alinhado com as principais instituições financeiras e pode ser apresentado em fases, para famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas, dependendo do aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- O anúncio depende apenas da autorização de Lula, que deve retornar da agenda internacional, com previsão de conclusão até o dia 21 de abril na Europa.
- O objetivo é reduzir dívidas em linhas caras, como cartão de crédito, usando garantias do Tesouro para que bancos concedam descontos e façam novos refinanciamentos com juros menores.
- Cenário econômico: endividamento chega a 80,4% dos lares, segundo a CNC, e a inadimplência das empresas subiu 13,92% no último mês, com 12,65% de alta no acumulado de 12 meses.
- O setor de serviços concentra a maior parcela de inadimplentes (cerca de 39%), reflexo da inflação e da fraqueza do consumo; especialistas alertam para superendividamento e sugerem monitoramento rigoroso de carteiras.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em Washington, durante a Reunião de Primavera do FMI, que o novo programa de renegociação de dívidas dos brasileiros já está estruturado e pronto para ser apresentado, aguardando o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta prioriza famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas, em fases distintas.
Durigan informou que a primeira etapa deve atender as famílias, seguida pelos trabalhadores informais e, por fim, as empresas. O anúncio pode ocorrer já nesta próxima semana, caso Lula aprove a proposta ao retornar da agenda europeia, que vai até o dia 21 de abril.
Chamado Desenrola 2.0, o programa ampliaria a plataforma lançada em 2023 e envolve garantias do Tesouro para incentivar bancos a conceder descontos e refinanciamentos com juros menores, baseados em uma dívida reduzida e em garantias públicas.
Contexto econômico
A CNC aponta endividamento de 80,4% dos domicílios em março, enquanto a inadimplência das empresas subiu 13,92%, em março, com 12 meses de 12,65% de alta. O cenário fala de juros elevados e crédito mais caro, pressionando o fluxo de caixa.
Especialistas destacam relação direta entre endividamento das famílias e inadimplência empresarial, já que consumo fraco reduz a capacidade de pagamento das empresas. O setor de serviços concentra a maior participação de inadimplentes, próximo de 39%.
Dados do Banco Central, Serasa e CNC apontam recordes de comprometimento de renda e atraso em pagamentos. A Serasa estima que o superendividamento envolve mais de 80 milhões de brasileiros, ampliando vulnerabilidade das empresas dependentes do consumo.
Para enfrentar o cenário, o BC tem enfatizado a necessidade de controle financeiro e monitoramento da carteira de clientes. Em relação às renegociações, especialistas afirmam que o timing mudou e que acordos são buscados mais cedo para evitar deterioração.
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