- Maria Teresa Fornea, diretora-geral da Endeavor Brasil, afirma que o Brasil ficou para trás na ciência e enfrenta tetos estruturais na inovação.
- Ela defende a formação de uma camada pensante e produtiva de empreendedores para fechar lacunas do ecossistema brasileiro.
- As prioridades da Endeavor sob sua gestão incluem expandir e diversificar o portfólio, com foco em inteligência artificial, mantendo uma régua de seleção alta.
- A organização busca conectar-se com diferentes verticais do ecossistema e ampliar o efeito multiplicador, apoiando jovens talentos desde o início.
- Fornea aponta que o venture capital representa apenas 0,3% do PIB brasileiro e defende ampliar empreendimentos de alto crescimento não apenas no setor de tecnologia, mas também na economia real, como agricultura e energia.
Maria Teresa Fornea assumeu a direção-geral da Endeavor Brasil em agosto de 2025. A paranaense, 40 anos, traz experiência de founder e executiva, com passagem pela fintech BCredi, vendida à Creditas em 2021. Também atuou como consultora estratégica e investidora em impacto social.
Após três anos na Creditas, Fornea fez uma transição para o universo de impacto, passando por Belterra e Bold.t Capital. Essa vivência ampliou seu repertório, mas reforçou o interesse por resultados concretos, que orientam hoje sua gestão na Endeavor.
Conhecida como Tetê, ela enfatiza a proximidade com pessoas e a prática de entregar resultados. Em entrevista, destacou que o objetivo da organização é inserir o Brasil entre os dez melhores ecossistemas de alto impacto no mundo.
Desafios estruturais e foco estratégico
Fornea aponta tetos estruturais no Brasil, resultado de uma mentalidade historicamente extrativista. Ela afirma que falta uma camada produtiva e avanços na ciência para elevar o patamar de inovação e crescimento.
A liderança da Endeavor passa por ampliar o portfólio com foco em inteligência artificial, sem abrir mão de manter o padrão de seleção de empreendedores de alto potencial. A meta é conectar-se a verticais diferentes do ecossistema para multiplicar impactos.
Segundo a executiva, é essencial aproximar jovens talentos de iniciativas que funcionem como filtros para futuros empreendedores. A ideia é somar forças com instituições já atuantes, reforçando o papel da Endeavor como fomentadora de lideranças desde o início.
Caminhos para o ecossistema de alto crescimento
A Endeavor pretende ampliar a presença de casos de alto crescimento em setores além da tecnologia, incluindo agricultura de transição, energias limpas e biotecnologia. A organização busca tornar o venture capital brasileiro mais representativo do PIB.
A executiva ressalta que o Brasil precisa desenvolver empresas com velocidade de escala, não apenas abrir companhias. O objetivo é inspirar o ecossistema e mostrar caminhos viáveis para o crescimento sustentável.
Fornea destaca ainda que o Brasil tem observado concentração de riqueza e desigualdade. Em sua leitura, a formação de engenheiros e educação de qualidade são pilares para elevar a capacidade de inovação do país.
Rumo a uma visão de longo prazo
A gestão pretende manter a régua de qualidade na seleção de empreendedores, ao mesmo tempo em que amplia parcerias para ampliar o alcance das oportunidades. A ideia é que o ecossistema seja menos dependente da rede interna da Endeavor.
A dirigente aponta que a presença de pessoas que já alcançaram sucesso pode incentivar próximos passos, mostrando que é possível empreender de forma estruturada e com impacto social.
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