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Emprego na Argentina não garante fuga da pobreza

Mesmo com emprego formal, o salário não basta; especialistas apontam pobreza persistente na Argentina e alta informalidade entre trabalhadores

Ter emprego não é seguro contra a pobreza na Argentina
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  • A pobreza na Argentina caiu para o nível mais baixo dos últimos sete anos, mas o emprego formal não protege mais contra a pobreza.
  • Antonela, de 37 anos, trabalha em um instituto privado e complementa a renda em uma empresa farmacêutica sem remuneração fixa.
  • Institutos públicos e consultorias chamam esse grupo de “trabalhadores pobres”: quem tem emprego ainda vive em situação de pobreza.
  • Cerca de seis milhões de pessoas trabalham na informalidade no país, o que reduz direitos trabalhistas e aumenta a vulnerabilidade, especialmente entre jovens e mulheres.
  • A capacidade de compra do salário caiu mais de vinte por cento entre 2010 e 2025; a inflação acumulada nos últimos doze meses é de trinta e três por cento, pressionando rendas.

Antonela, de 37 anos, trabalha há dois anos em um instituto privado de bioquímica em Buenos Aires, com funções administrativas e gestão de autorizações médicas. Mesmo com emprego formal, a renda não cobre os gastos atuais.

A pobreza na Argentina está no nível mais baixo dos últimos sete anos, mas o emprego formal vem perdendo força. Em 12 meses, houve oito meses de queda até dezembro, conforme avaliação da UBA.

Para Roxana Maurizio, diretora da área de Emprego, Distribuição e Instituições Trabalhistas da UBA, ter emprego já não funciona como seguro contra a pobreza. Trabalhadores formais representam menos da metade dos ocupados, e a informalidade aumenta vulnerabilidade.

Trabalhadores pobres e informalidade

Institutos públicos e consultorias advertem que existem trabalhadores pobres: mesmo com salário, vivem em situação de pobreza. A OIT aponta que quem trabalha de forma informal tem quase o triplo de probabilidade de estar na pobreza.

Entre autônomos não formais, o índice de pobreza é de 27%, maior que a média entre trabalhadores com carteira, mas abaixo da população em geral. O aumento da informalidade pressiona salários formais.

A UCA aponta queda de mais de 20% na capacidade de compra do salário médio entre 2010 e 2025, ajudando a explicar casos como o de Antonela. A inflação de 33% no último ano sustenta a pressão econômica.

Cerca de seis milhões de pessoas estão na informalidade no país, sem direitos básicos como saúde, licenças ou aposentadoria, segundo a OIT. Jovens e mulheres estão entre os grupos mais afetados.

Os especialistas associam a precariedade trabalhista às políticas de emprego e aos ajustes estruturais discutidos pelo governo. Em meio a esse cenário, o trabalho remunerado não garante proteção contra a pobreza.

Antonela atribui a queda de poder de compra ao derretimento salarial, o que altera seu estilo de vida. Ela espera sair do modo sobrevivência e conseguir uma vida com maior segurança financeira.

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