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FMI analisa impactos da guerra no Irã sobre Brasil, México e América Latina

FMI aponta impactos heterogêneos na América Latina: produtores de petróleo ganham com energia cara; economias vulneráveis enfrentam inflação alta e aperto financeiro, condicionado pela duração do conflito

Bogotá, na Colômbia: países produtores de petróleo estão se beneficiando dos preços mais altos da energia.
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  • O FMI aponta impacto desigual da guerra no Oriente Médio para a América Latina e o Caribe: produtores de petróleo podem ganhar com os preços, enquanto outras economias enfrentam retração e inflação.
  • Países produtores citados incluem Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago e Venezuela, com balanços de pagamentos fortalecidos pela alta de energia, ainda que haja desafios financeiros em alguns deles.
  • Regiões mais vulneráveis são o Caribe, dependente de turismo, com dívida elevada, e a América Central, que sofre com preços de energia altos e limitações fiscais; alguns países reagem melhor por avanços em energias renováveis.
  • Inflação projetada para 2026 varia significativamente entre os países, chegando a 220% na Venezuela, 26,1% na Bolívia, 25% na Argentina, e 4,3% no Brasil, 6,3% na Colômbia, 4,5% no Uruguai; a região toda pode alcançar 6,6% em 2026.
  • O FMI recomenda responsabilidade fiscal, proteção a famílias vulneráveis e continuidade de reformas, destacando que o efeito depende da duração do conflito e da resposta macroeconômica.

A Guerra no Oriente Médio está ampliando as diferencias entre países da América Latina e do Caribe. Segundo o FMI, as nações produtoras de petróleo devem se beneficiar dos preços elevados de energia, enquanto outras economias enfrentam retração e maior vulnerabilidade à inflação e ao aperto de financiamento externo. O documento aponta que o choque nas commodities fortalece a posição externa de alguns países, ainda que haja exceções.

Entre os vencedores, estão Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago e Venezuela, que devem registrar ganhos líquidos em suas contas externas, impulsionados pela alta de energia. O FMI ressalva que mesmo nesses casos não se deve ignorar o peso da inflação e o custo de energia para os menos favorecidos.

O relatório The Middle East War Will Have an Uneven Impact on the Western Hemisphere também destaca que, para alguns, a situação é desigual: há países vulneráveis a altas tarifas de energia e de alimentos, com déficits em conta corrente e forte dependência de financiamento externo.

Inflação e impactos setoriais

O FMI prevê inflação mais alta para toda a região, com custos maiores de combustível, transporte e alimentos. Em 2026, projeções indicam Venezuela com 220% e Argentina com 25%, entre os maiores aumentos. O Brasil deve registrar cerca de 4,3% de inflação, seguido por Chile com 3,6% e Colômbia com 6,3%.

Países da América Central e do Caribe também sofrem com pressões inflacionárias, ainda que haja variações regionais. Honduras pode chegar a 4,8%, Guatemala a 3,9% e a República Dominicana a 4,5%. No agregado da região, a estimativa é de 6,6% em 2026 e 4,2% em 2027.

Situação fiscal e agendas prioritárias

Para lidar com o choque, o FMI aponta que economias com fundamentos sólidos tendem a absorvê-lo melhor, desde que mantenham disciplina fiscal e controle da inflação. A recomendação é usar o espaço fiscal com cautela e evitar subsídios generalizados que distorçam preços.

As autoridades devem priorizar gastos para famílias vulneráveis, agricultores e pequenas empresas, mantendo equilíbrio entre apoiar o consumo e reduzir déficits. Países com endividamento elevado possuem menos margem para ampliar déficits fiscais.

Condição regional e perspectivas globais

O FMI enfatiza que o efeito varia conforme duração do conflito e interrupções associadas. A região pode sentir impactos persistentes, mesmo com um cessar-fogo, devido à incerteza no comércio e no fornecimento de energia.

A consultoria Oxford Economics, por sua vez, estima que o conflito reduz o crescimento global e mantém a inflação alta por mais tempo, com efeitos prolongados no setor energético. O FMI, por sua vez, revisou para baixo a projeção de crescimento mundial para 3,1% neste ano, citando o choque no Oriente Médio.

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