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Queda do dólar pode impulsionar o Bitcoin, dizem especialistas

Queda do dólar frente ao real reforça diversificação de reservas e aumenta o papel do Bitcoin como acesso global a valor

Imagem da matéria: Por que a queda do dólar pode impulsionar o Bitcoin
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  • O dólar caiu frente ao real, atingindo R$ 4,95 na sexta-feira, marcando a maior queda em mais de dois anos.
  • A participação do dólar nas reservas globais recuou de cerca de 70% no início dos anos 2000 para cerca de 57% hoje, sugerindo reajustes na gestão de risco.
  • O ouro volta a ser visto como proteção, mas seus limites aparecem em um ambiente cada vez mais digital, com foco também em mobilidade e acesso ao capital.
  • O Bitcoin surge como vetor de demanda, combinado com escassez programada e infraestrutura descentralizada, oferecendo armazenamento e transferências de valor com menos dependência de intermediários.
  • Países e instituições, como fundos soberanos do Oriente Médio e nos EUA, têm mostrado interesse no Bitcoin, que, embora ainda menor que o ouro, passa a integrar debates geopolíticos e de gestão de reservas.

O dólar caiu frente ao real pela maior queda em mais de dois anos, chegando a atingir R$ 4,95 na sexta-feira (17). O movimento ocorre em um contexto de mudanças de percepção sobre o sistema financeiro global.

Apesar da pressão, o sistema financeiro segue estável e o dólar permanece como principal moeda de reserva. A economia dos EUA continua no centro das finanças internacionais, com uma infraestrutura que sustenta esse arranjo, mesmo diante de desdobramentos de risco.

A participação do dólar nas reservas globais recuou de cerca de 70% no início dos anos 2000 para pouco mais de 57% hoje. O ajuste sinaliza diversificação de carteiras dos bancos centrais, não abandono, buscando reduzir vulnerabilidades em cenários de estresse.

O ouro retorna como ativo de proteção, mas suas limitações aparecem em um ambiente cada vez mais digital, em que mobilidade, acesso e eficiência são cruciais para o capital. O mercado de ouro continua maior, com valor relativo mais estável.

Nesse cenário, o Bitcoin surge como novo vetor de demanda. Com escassez programada e infraestrutura descentralizada, o ativo permite armazenar e transferir valor com menor dependência de intermediários.

O Bitcoin é visto como alternativa funcional em momentos de restrição de acesso a recursos. Países e instituições começam a incorporar o ativo de forma gradual a discussões estratégicas de reservas e operações internacionais.

Em comparação ao ouro, o Bitcoin ainda representa uma parcela menor do mercado global. O ouro supera US$ 30 trilhões em valor, enquanto o Bitcoin está perto de US$ 1,4 trilhão, indicando espaço para crescimento.

A tendência aponta para uma reconfiguração, não substituição: dólar permanece relevante, ouro como referência e Bitcoin ganhando papel complementar em um mundo mais digital e sensível a restrições de acesso.

Sobre o autor

Pedro Fontes, graduando em economia na UFRJ, integra a equipe de analistas de criptoativos do MB, com atuação em temas de tokenização e dinâmica de reservas. Fontes atua desde 2021 no setor cripto.

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