- Em 2025, as vendas de veículos eletrificados subiram quase 26%, totalizando 223 mil unidades e 8,8% do mercado de automóveis no Brasil.
- O país manteve a liderança na América Latina, concentrando cerca de 43% dos mais de 660 mil carros eletrificados vendidos na região.
- Hybrids plug-in (PHEV) passaram a liderar o crescimento em 2025, com alta de 56,2%.
- A infraestrutura de recarga acompanha o aumento da demanda, mas ainda fica aquém do ritmo necessário: 10 estados respondem por mais de 81% das vendas e 79% dos eletropostos, com média de 21,4 veículos por ponto de recarga.
- A matriz elétrica brasileira é majoritariamente renovável (88,2%), o que amplia os benefícios da eletrificação, mas traz desafio de gestão da demanda devido à geração intermitente de solar e eólica.
O Brasil registrou avanço na mobilidade elétrica em 2025, com vendas de veículos eletrificados crescendo quase 26%. O total chegou a 223 mil unidades, representando 8,8% do total de automóveis vendidos no país. O movimento consolida a liderança brasileira na América Latina.
Os dados constam do 3º Relatório de Mobilidade Sustentável – Perspectiva do Brasil, apresentado no Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026, em São Paulo, nos dias 15 e 16 de abril. A região somou mais de 660 mil veículos eletrificados em 2025, com o Brasil respondendo por cerca de 43% do total.
Demanda e mudança de perfil
Em 2024, o crescimento foi puxado pelos 100% elétricos, enquanto em 2025 os híbridos plug-in (PHEV) assumiram a liderança, com alta de 56,2%. A mudança indica adaptação de consumidores e da indústria ao estágio atual da transição energética.
Segundo Daniela Garcia, diretora da LATAM Mobility no Brasil, a eletrificação brasileira parte de uma vantagem ambiental relacionada à matriz energética. “Um carro elétrico brasileiro nasce com pegada de carbono menor do que em mercados com matriz mais emissora”, afirma.
Infraestrutura sob pressão
A expansão da rede de recarga ocorre, mas não acompanha a demanda. Atualmente, 10 estados concentram mais de 81% das vendas de veículos eletrificados e cerca de 79% dos postos de recarga. Nesses estados, há uma média de 21,4 veículos por ponto de recarga, evidenciando descompasso entre oferta e demanda.
Ronaldo Sandoval, diretor da EvolvX na América Latina, aponta que o próximo ciclo depende de superar gargalos estruturais. “O Brasil já está no mapa da eletromobilidade global, mas o crescimento exige infraestrutura robusta”, afirma.
Desafio energético e capacidade do sistema
O país tem matriz elétrica majoritariamente renovável, com 88,2% de fontes limpas. A expansão de geração tem ficado concentrada em solar e eólica, o que aumenta a complexidade de operação do sistema elétrico. A gestão de demanda passa a ser fator crucial para sustentar o ritmo de crescimento.
Especialistas ressaltam que a sustentação do avanço depende de melhoria regulatória e de investimentos para evitar gargalos que freiem o setor. A tendência aponta para uma fase em que a infraestrutura passa a determinar a velocidade da eletrificação.
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