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Banco Master recebeu R$ 39 milhões do Exército, aponta Coaf

Coaf aponta repasse de 39 milhões do Exército ao Banco Master em quatorze meses, com transferências entre contas e indícios de ocultação do destino

Imagem colorida de escudo do Exército
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  • O Banco Master recebeu R$ 39 milhões do Exército entre agosto de 2024 e outubro de 2025, referentes a parcelas de empréstimos consignados.
  • Os recursos chegaram a uma conta do Master no Itaú e, ao longo de quatorze meses, foram transferidos rapidamente para outras contas dentro do próprio banco, dificultando o rastreamento do destino final.
  • O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras aponta concentração de recursos no Comando do Exército e indícios de falhas na identificação de possíveis beneficiários.
  • O Exército afirmou que os valores eram repasses de consignações em folha de pagamento e que o credenciamento do banco ocorreu em fevereiro de 2023; o contrato foi rescindido unilateralmente em novembro de 2025, após a liquidação do Master pelo Banco Central.
  • O histórico do Master mostra crise que levou à liquidação extrajudicial em novembro de 2025, com tentativas de venda e atuações para sustentar a instituição, além de um recorde de reclamações sobre consignados entre 2020 e 2026.

O Banco Master recebeu R$ 39 milhões do Exército entre agosto de 2024 e outubro de 2025. Os recursos corresponderam a parcelas de empréstimos consignados contratados por militares, conforme relatório do Coaf divulgado à CPI do Crime Organizado. A movimentação foi identificada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Metrópoles.

Segundo o documento, os repasses ocorreram em uma conta do Master no Itaú e, ao longo de 14 meses, houve rápidas transferências para outras contas dentro do próprio banco. O relatório aponta que esse padrão dificulta rastrear o destino final dos recursos e identifica potenciais outros beneficiários.

O Exército informou que os valores tratam-se de repasses de créditos decorrentes de consignações em folha de pagamento. A Força afirmou que o credenciamento do Master ocorreu em fevereiro de 2023, após atender a requisitos de edital, e que o contrato foi rescindido unilateralmente em novembro de 2025, dias após a liquidação do banco pelo BC. O Exército enfatizou que não houve perda patrimonial ao Erário.

O Exército também destacou que sua atuação se limitou a intermediar os descontos em folha e repassar os valores ao Banco Master. Em nota, informou que não houve prejuízo financeiro para o órgão, pois os montantes provinham de rendimentos particulares dos militares para quitar dívidas privadas.

Crise do Master

Entre 2018 e 2023, o banco passou por mudanças de controle e expansão, com aquisições de Voiter, LetsBank e Will Financeira. Em 2024, o BC exigiu um plano de contingência para manter a liquidez, e, em julho, houve falhas no desempenho do negócio. Em setembro, o BC identificou risco de capital e gestão de risco de crédito.

Novembro de 2024 marcou a interrupção da concessão de crédito corporativo, com mudanças no controle para evitar o colapso. Em janeiro de 2025, Vorcaro iniciou negociações com BRB para venda. Em fevereiro, a instituição descumpriu recolhimentos compulsórios ao BC. Entre março e setembro, houve busca por apoio do FGC e reforço de caixa com ativos pessoais de Vorcaro.

Setembro de 2025 traz nova rodada de negociações, com o BC bloqueando venda para BRB. Em 18 dias, Vorcaro apresentou plano ao BC para transferência de controle em até 90 dias. Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

Consignados do Master

O uso de empréstimos e cartões consignados foi apontado como impulsor da expansão recente. Em carta de janeiro de 2025, Vorcaro afirmou que cinco milhões de clientes entre os 11 milhões da instituição estavam em operações de crédito consignado. Em 2024, foram relatadas mais de R$ 3,5 bilhões em consignados.

Dados de reclamações também indicam problemas: entre 2020 e 2026, o banco acumulou quase 15 mil queixas sobre empréstimos consignados, segundo plataforma do governo. Em bases de Procons, o número chega a cerca de 9 mil registros.

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